Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Brasil é eleito e ocupará vaga temporária no Conselho de Segurança da ONU após 10 anos

Em votação ocorrida nesta sexta-feira, o País foi escolhido e terá mandato de dois anos; eleição era esperada, mas havia preocupação com tamanho do apoio a ser recebido

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 13h37

WASHINGTON - O Brasil foi eleito nesta sexta-feira, 11, para uma das vagas rotativas do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). É a 11ª  vez que o País vai ocupar um mandato de dois anos em uma das cadeiras temporárias, a primeira sob o governo do presidente Jair Bolsonaro. 

A eleição já era esperada, uma vez que o Brasil concorreu sem adversários entre os países latino-americanos. Durante a campanha, no entanto, houve preocupação entre diplomatas brasileiros com o tamanho do apoio a ser recebido. 

O Brasil teve 181 votos, dos 182 votos válidos na votação para representante da América Latina. Houve 8 abstenções e 1 voto para o Peru. Ao todo, a sessão desta sexta-feira contou com 190 membros presentes.

Em 2009, na última vez que o País foi eleito para uma das cadeiras rotativas, o Brasil recebeu o voto de 182 países de um total de 183 votantes. São necessários os votos de dois terços dos estados-membros da ONU para a eleição dos membros rotativos.

Desta vez, o Brasil concorreu em meio a críticas da comunidade internacional. O presidente brasileiro comprou briga com outros países, como China e França, e é visto como um dos mais negligentes no manejo da pandemia. Jair Bolsonaro também sofre pressão internacional de europeus e americanos para mudar sua política ambiental, após a alta das queimadas na Amazônia durante seu governo estampar capas de jornais internacionais.

Além dos desafios de ordem política, o Brasil precisou correr para pagar parte da dívida acumulada junto à ONU e aprovar créditos no apagar das luzes de 2020 para honrar parte dos compromissos fiscais com a instituição. Conforme o Estadão revelou, o governo brasileiro já acumula dívida de R$ 10,1 bilhões com organismos internacionais. No ano passado, o País correu o risco de perder direito a voto na ONU devido a dívidas, o que causaria um embaraço para a eleição no Conselho de Segurança. 

A Assembleia-Geral da ONU escolhe, anualmente, cinco membros rotativos para a cadeira de dois anos no Conselho de Segurança. Os países admitidos temporariamente se juntam aos membros permanentes, que são Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China.

As dez vagas rotativas são distribuídas regionalmente, sendo cinco delas para África e Ásia, uma para o Leste Europeu, duas para América Latina e Caribe e duas para Europa Ociental e outros Estados.

Durante o governo de Michel Temer, o Brasil costurou um acordo com Honduras para antecipar sua volta ao Conselho de Segurança e se candidatar para a vaga neste ano. O País assumirá uma cadeira rotativa nos anos de 2022 e 2023. 

Albânia, Gana, Gabão e Emirados Árabes Unidos também foram eleitos para o mandato bienal que começa no ano que vem. 

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