Brasil e EUA buscam contrato estratégico

Cenário: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h08

A visita de Leon Panetta, o homem que caçou e matou Osama bin Laden e depois dessa façanha virou secretário da Defesa da maior potência militar da história, não deve produzir resultados práticos. É, muito mais que isso, o início do realinhamento da pauta de interesses comuns ao Brasil e aos EUA em áreas muito sensíveis. Segurança cibernética, por exemplo. O crime e as agressões digitais podem ser deflagradas de qualquer ponto do planeta contra redes e sistemas - assim, é bom ter um escudo eletrônico partilhado com aliados. É provável que certos assuntos, como a transferência de tecnologias avançadas, um entrave nas negociações envolvendo o novo caça de múltiplo emprego da FAB, necessário para a modernização da Aeronáutica, tenham sido tratados - mas apenas informalmente, sem detalhes. Nos termos do Diálogo de Cooperação em Defesa - criado no dia 9, em Washington, pelos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama -, a agenda bilateral deve tratar de temas maiores e de longo prazo. Panetta gostaria muito de contar com a participação do Brasil nos programas de colaboração com 16 dos 20 países da América Central contra o cada vez mais poderoso crime organizado. Para o secretário de Defesa americano, trata-se de firmar "um novo tipo de acordo", como o de cooperação entre Bolívia, Brasil e EUA para combater o cultivo da coca na linha de fronteira. As Forças Armadas e a Polícia Federal brasileiras dispõem de mapeamento dos aeroportos clandestinos, áreas plantadas e da provável localização de laboratórios.

Panetta revelou interesse em conhecer os planos para a garantia dos grandes eventos que serão realizados no País, da conferência Rio+20, no mês que vem, até a Olimpíada, em 2016. Apenas a estrutura da Defesa para atender a demanda dos acontecimentos deve consumir R$ 699 milhões. Só no encontro ambiental de junho serão empregados cerca de 13 mil militares.

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