Brasil e EUA discordam quanto à forma de desarmamento, diz embaixadora

A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, admite divergências entre os dois países com relação ao conflito no Iraque, mas disse que são divergências quanto à tática e não quanto ao objetivo final. "Toda comunidade internacional está unida nesse ponto. O Iraque tem de ser desarmado. Agora, a maneira de desarmá-lo é onde existem divergências. Nós (governo norte-americano) achamos que depois de 12 anos de debate nas Nações Unidas, das 17 resoluções que o Iraque tem ignorado, é hora de se fazer alguma coisa", disse a embaixadora americana, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo. Donna Hrinak, no entanto, não confirma e nem nega possíveis retaliações do governo norte-americano diante da posição brasileira contra a guerra no Iraque. "Temos uma agenda bem ampla com o Brasil", afirmou. "Sabemos que temos muito que trabalhar juntos", acrescentou. Segundo Donna, apesar das divergências de alguns países com relação à guerra, todos terão de trabalhar para a reconstrução do Iraque, depois do conflito. "Nossa intenção é trabalhar com as Nações Unidas", disse.A embaixadora dos Estados Unidos não considera uma ingerência do governo norte-americano na soberania dos outros países, ao pedir o fechamento das embaixadas ou representações do Iraque no mundo. "Temos feito o pedido porque achamos que essas pessoas que representam Saddam Hussein não representam o povo iraquiano. Vai haver uma mudança de regime no Iraque e seria melhor começar desde agora; preparar para receber novos representantes que seriam verdadeiramente do povo".Ao ser questionada se não a afligia o fato de metade da população iraquiana ser crianças com menos de 15 anos de idade, a embaixadora americana disse que o governo Bush pretende evitar "fatalidades civis". Donna Hrinak disse esperar que o presidente iraquiano não coloque sua população civil em alvos militares.Direitos humanosAo referir-se ao apelo de ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para o respeito aos direitos humanos, no conflito, Donna Hrinak disse que quem desrespeita os direitos humanos é o presidente iraquiano. "Ele tem usado armas químicas contra os curdos. Todo mundo sabe que ele é ditador, torturador. Agora, depois de tantas horas (de negociações) para tentar desarmá-lo, o que mais poderia ser feito?", questionou.Donna ressaltou também que os Estados Unidos não desrespeitaram a ONU ao iniciar a guerra, sem o consenso da maioria dos países. "Quem desrespeita as Nações Unidas é Saddam Hussein", disse, referindo-se mais uma vez às resoluções da ONU ignoradas por Saddam.Veja o especial:

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