Brasil e EUA preparam ''resgate conjunto'' na Líbia

Os EUA e o Brasil acertaram ontem uma ação conjugada para o resgate de seus cidadãos da Líbia. Durante conversa em Washington com a secretária de Estado, Hillary Clinton, o chanceler Antonio Patriota informou haver um barco pronto para retirar brasileiros de Benghazi e ofereceu lugares a americanos.

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Segundo uma autoridade do Departamento de Estado, Hillary prometeu o mesmo aos brasileiros sitiados em Trípoli, onde uma embarcação alugada pelos EUA já aportou para resgatar os americanos e levá-los a Malta.

A questão líbia consumiu boa parte da conversa entre Patriota e Hillary, cuja agenda inicial concentrava-se na preparação da visita ao Brasil do presidente Barack Obama e a criação das bases para a relação do governo Dilma Rousseff com Washington.

A decisão sobre o resgate conjugado foi acompanhada por um veemente apelo de Hillary para que os americanos saiam "imediatamente" da Líbia.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, as informações recebidas desde a manhã de ontem indicam aumento do risco de violência contra estrangeiros na Líbia.

Patriota deixou clara a preocupação com a situação e informou que o Brasil se associou a países que pretendem levar a violência do governo líbio contra pessoas desarmadas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Liderança europeia. Ao final do encontro bilateral, diante da imprensa, a secretária de Estado destacou a falta de capacidade dos EUA de influenciar líderes líbios e afastou a adoção de sanções unilaterais. Depois da crise com a Coreia do Norte, no final de 2010, essa foi a primeira vez que Washington admitiu sua impossibilidade de pressionar diretamente um país. A tarefa, como Hillary indicou, foi delegada aos europeus. "Estamos trabalhando com muitos países que têm relações mais próximas com a Líbia", reconheceu Hillary.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.