Brasil é modelo, diz Cristina Kirchner

No lançamento de sua candidatura à Casa Rosada, primeira-dama argentina elogia País e promete combater a pobreza

Ariel Palacios, Buenos Aires, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

A senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner lançou ontem sua campanha à presidência argentina indicando que o modelo econômico brasileiro é o exemplo a seguir. "Olhem só o desenvolvimento do Brasil, que tem uma empresa como a Embraer, que exporta aviões para os EUA!", exclamou Cristina no discurso pronunciado no Teatro Argentina da cidade de La Plata, na Província de Buenos Aires. Ela ressaltou que o modelo econômico deve ter "claro perfil industrialista" e apontou o Brasil e a Espanha como exemplos de desenvolvimento de uma "burguesia nacional". "As experiências de outros países são geralmente intransferíveis", afirmou. "Mas, com elas, podemos aprender. Os argentinos não podem mais acordar de manhã e achar que tudo vai dar errado." Única oradora do evento, Cristina - sob um cartaz com o slogan "A mudança apenas começa" - ufanou-se das vitórias do governo de seu marido, entre elas a redução dos níveis de pobreza e desemprego e o fim da dívida com o Fundo Monetário Internacional. Cristina admitiu a persistência de vastos focos de pobreza na Argentina e disse que se dedicará a combatê-los. A candidata assinalou que a Argentina pode mudar. "Nada é imutável. Só a morte." Ela também recordou os desaparecidos políticos da ditadura e afirmou que hoje o país sofre com o problema dos "desaparecidos sociais". Duas mil pessoas - entre elas ministros, governadores, parlamentares e prefeitos - aglomeravam-se nas poltronas e galerias do teatro. As entradas foram disputadas como se o evento fosse um show de uma estrela do rock. Na platéia estava sentado seu marido, o presidente Néstor Kirchner. Na fila de trás estava o governador de Mendoza, Julio Cobos, representante do setor de governadores e parlamentares da União Cívica Radical (UCR) que rompeu com o restante de seu partido por alinhar-se com o governo Kirchner. Os membros desse setor são conhecidos como "Radicais K". Cobos deve ser indicado como vice na chapa de Cristina. A historiadora María Sáenz Quesada indica que a decisão de Kirchner de apresentar sua mulher como candidata à presidência é uma demonstração de peronismo explícito: "Colocar a mulher do presidente como a melhor candidata à sucessão é uma característica do modo de condução do peronismo. É um cesarismo populista." Ao longo da história do peronismo, a utilização política das mulheres dos políticos foi constante. O general e presidente Juan Domingo Perón inaugurou a modalidade ao colocar sua segunda esposa, Eva Duarte de Perón, no comando de um grande aparato assistencialista em 1946. Kirchner tomou posse em 2003. Na metade do mandato, em 2005, Cristina foi eleita senadora na Província de Buenos Aires. Com essa vitória, passou a ser a potencial sucessora de seu marido.

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