EFE/Martin Crespo
EFE/Martin Crespo

Brasil e Paraguai retomam negociações sobre energia de Itaipu

Negociações ocorrem em Brasília, em meio a CPI no Congresso paraguaio que investiga favorecimento a empresa brasileira

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2019 | 11h22

ASSUNÇÃO - Brasil e Paraguai retomam na terça-feira, 20, as negociações sobre a utilização de energia na Usina de Itaipu, quase três semanas depois que o acordo anterior, assinado em maio, foi suspenso em consequência de uma crise política no país vizinho. 

 

As negociações ocorrerão em Brasília, entre a Administração Nacional de Energia (Ande, a estatal de energia paraguaia) e a Eletrobrás. O acordo anterior foi anulado depois de a imprensa paraguaia revelar que membros do governo Mario Abdo Benítez aceitaram termos lesivos ao Paraguai.

 

A denúncia, junto com relatos de que um assessor da vice-presidência teria pressionado a Ande para vender energia para a empresa brasileira Léros, colocaram Benítez sob risco de impeachment. Logo após as denúncias, o governo do presidente Jair Bolsonaro aceitou o pedido do Senado paraguaio para cancelar o acordo. 

Para Entender

Como o nome de Bolsonaro foi envolvido no escândalo de Itaipu no Paraguai

Assessor de vice paraguaio usou nome da família do presidente em negócio de venda de energia para empresa brasileira, representada por suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP)

Paraguai promete transparência em negociação

Ao diário paraguaio ABC Color, o novo presidente da Ande, Luis  Villordo, prometeu transparência. Segundo ele, os detalhes das negociações serão publicados no site da Ande. 

 

A prioridade dos paraguaios é aumentar o nível de energia excedente da usina contratada pelo Paraguai. Gerada a partir do excesso de chuvas em Itaipu, esse tipo de energia é mais barato que a garantida, da qual pelo acordo de partilha assinado quando a usina foi construída, o Paraguai tem de ceder uma parte ao Brasil para quitar os custos de construção da hidrelétrica binacional. 

 

Nos últimos anos, pelo fato de o consumo de energia do Paraguai ser relativamente pequena e em consequência de um acordo assinado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, que dá ao Paraguai prioridade no uso da energia mais barata, o Paraguai aumentou os índices de contratação de energia excedente, o que é visto como injusto pelo Brasil, que acaba subsidiando o custo da energia no país vizinho. 

“Cada um tem uma estratégia, mas vamos chegar a um acordo”, disse Villordo ao ABC Color. “Temos de definir qual será a potência contratada. Preferimos a energia mais barata, mas seu volume é instável, pois os reservatórios estão num nível baixo.”

Seis em cada dez paraguaios acham que Abdo Benítez deixará o cargo

 

Em meio à retomada das negociações, uma pesquisa publicada ontem pela imprensa paraguaia indicou que a maioria da população acredita que Abdo Benítez deixará o cargo antes do final. Para 53,9% dos paraguaios, o presidente não concluirá o mandato, alvo de um julgamento político ou renúncia. 

 

Outros 29,5% creem que o presidente, um dos principais aliados de Bolsonaro na América do Sul, terá o apoio necessário para segurar-se no cargo. Ainda de acordo com o levantamento feito pela consultoria CIES, 16,6% não souberam fazer um prognóstico sobre o futuro do presidente. 

 

Desde o início da crise, Abdo Benítez tem evitado um processo de impeachment graças a facção do Partido Colorado liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, seu principal rival político. 

Congresso toma depoimentos de envolvidos no escândalo

 

Hoje, o Congresso paraguaio começa a ouvir os envolvidos na assinatura do acordo de maio, conhecido no país como “ata entreguista”.

 

O presidente da Comissão Bicameral, o senador liberal Ramón Eusebio Ayala, deve ouvir o gerente técnico interino da Ande, engenheiro Ubaldo Fernández, e depois o engenheiro Luis Gilberto Valdez, diretor técnico de Itaipu. Estão na lista de depoimentos também o ex-gerente técnico do engenheiro da ANDE, Fabián Cáceres, e o ex-diretor técnico do engenheiro da Itaipu, José Sánchez Tillería.

À tarde devem ser ouvidos o ex-ministro das Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni,  e o ex-presidente da Ande Pedro Ferreira./ COM EFE

 

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