Brasil é peça-chave na estabilidade hemisférica, diz 'Wall Street Journal'

Para jornal, Obama fez bem em manter viagem mesmo após início de operações militares na Líbia.

BBC Brasil, BBC

21 de março de 2011 | 07h33

Obama manteve a viagem ao Brasil mesmo com ações militares na Líbia

Um artigo publicado nesta segunda-feira pelo jornal econômico americano The Wall Street Journal afirma que o Brasil é uma peça-chave na estabilidade hemisférica e que os Estados Unidos devem incentivar os esforços do novo governo brasileiro em adotar uma política externa menos complacente com governos autoritários.

O artigo, que analisa a viagem do presidente, Barack Obama, ao Brasil no fim de semana, defende a decisão do mandatário americano de manter a visita mesmo após o início das operações militares contra a Líbia, no sábado.

"Santiago (capital do Chile) e San Salvador (capital de El Salvador) poderiam ter sido adiadas", afirma o artigo, sobre as outras duas paradas do tour de Obama. "Mas ir a Brasília para se encontrar com a presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, no sábado, por outro lado, era importante", diz o texto.

Para a editorialista do jornal Mary Anastasia O'Grady, "os interesses geopolíticos comuns entre os Estados Unidos e a maior democracia da América Latina" devem ser considerados como "uma boa razão para a viagem".

'Abordagem contraproducente'

O artigo comenta a proximidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de governantes como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ou do venezuelano Hugo Chávez e observa que Dilma "quer estabelecer uma política externa que, ao mesmo tempo em que está longe de se alinhar com os Estados Unidos, tem menos probabilidade de seguir ditadores e autoritários".

Para a editorialista, Dilma "parece ter decidido que a abordagem de Lula era contraproducente, especialmente para o objetivo do Brasil de ganhar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU".

"Se o Brasil está buscando uma reaproximação com os Estados Unidos, é um desenvolvimento bem-vindo para todo o hemisfério. Como um aliado nas questões fundamentais, como a tortura nas prisões cubanas, o Brasil poderia ser parte de um longamente esperado esforço regional para denunciar abusos aos direitos humanos", diz o artigo.

O texto conclui dizendo que a nova situação poderá se mostrar útil após as eleições presidenciais na Venezuela, no ano que vem.

O jornal observa que Chávez já disse que não deixa o poder mesmo se perder as eleições. Para a autora do texto, isso poderia gerar uma situação "não muito diferente da que se desenrola na Líbia hoje".

"Se os Estados Unidos e o Brasil estiverem em sintonia, isso ajudará", conclui o jornal.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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