Brasil é pressionado sobre TNP

EUA esperam que País assine protocolo adicional ao tratado antes da reunião de maio

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Os EUA esperam a adesão do Brasil ao protocolo adicional que permitiria inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) até a reunião de revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que se realiza em maio, em Nova York.

"O protocolo adicional certamente será abordado na conferência do TNP e os EUA vêm trabalhando de forma bastante próxima com o Brasil e a Argentina para chegar a uma abordagem conjunta para lidar com o tema", disse ao Estado Gary Samore, conselheiro da Casa Branca para controle de armas e terrorismo, durante entrevista coletiva. "Acho que fizemos muito progresso e estou otimista, acredito que até a revisão do TNP Brasil e EUA terão chegado a um acordo."

O Brasil é um dos poucos países que não assinou o protocolo. A posição de Brasília é rejeitar novos compromissos no âmbito do TNP até que os países com armas nucleares cumpram sua promessa de desarmamento. De forma geral, o país considera que o protocolo adicional interfere em sua soberania.

Samore é o principal negociador dos EUA para questões nucleares e acompanhará o presidente Barack Obama na Cúpula de Segurança Nuclear, que se realiza na segunda e terça-feira. A cúpula terá a participação de 47 países, sendo 40 chefes de Estado, entre eles o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

O principal tema é a segurança nuclear. Em seu discurso feito em Praga há um ano, Obama propôs que todos os materiais nucleares sejam postos em locais seguros em 4 anos. Na revisão da estratégia nuclear dos EUA, a possibilidade de terroristas roubarem urânio para uma bomba é descrita como "a maior ameaça aos EUA". "Sabemos que terroristas estão procurando materiais para fazer armas nucleares", disse Ben Rhodes, vice-conselheiro de Segurança Nacional.

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