Brasil e Turquia afinam posição sobre Irã

Membros rotativos do Conselho de Segurança insistem no diálogo sobre programa nuclear

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Ao insistir ontem no diálogo com o Irã, Turquia e Brasil expuseram suas diferenças de motivação. Em visita oficial ao Brasil, o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que seu país não quer ver um ataque militar no Oriente Médio, tampouco uma corrida nuclear ou o isolamento de um país - no caso, o Irã. Ao seu lado, o chanceler Celso Amorim reforçou a convicção de que possíveis sanções não terão o efeito esperado.

Amorim, porém, acrescentou que, se aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, o Brasil aplicará as sanções.

"Nossa região precisa cada vez mais de interdependência, como meio de alcançar a paz e a estabilidade. O pior instrumento para isso é a sanção econômica", afirmou Davutoglu. Como membros rotativos do Conselho de Segurança, Brasil e Turquia participarão da votação de uma resolução sobre as novas sanções.

Esforço conjunto. Na terça-feira, em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, rejeitou o pedido do colega Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, de mais tempo para a negociação com Irã. Nos dias 26 e 27, pouco mais de uma semana depois da visita oficial de Lula a Teerã, Erdogan virá ao Brasil.

O chanceler turco deixou claro o motivo que leva seu país a insistir na conclusão do acordo de troca de urânio levemente enriquecido do Irã por combustível nuclear. Trata-se de uma situação que não aflige o Brasil, país a cerca de 14 mil quilômetros da região.

Amorim relatou que já dissera ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que não acredita nas sanções como caminho de uma solução para esse impasse. "O que vai acontecer é que, ou as sanções serão tão fracas que não terão nenhum efeito, e o Irã continuará convivendo com elas - como tem feito com as (retaliações) unilaterais aplicadas -, ou vão ser tão duras que atingirão a população mais pobre, mais vulnerável. É sempre assim", afirmou.

"Ao contrário de enfraquecer as pessoas que estão no poder, (as sanções as) fortalecem. A prática histórica mostra isso", completou o chanceler.

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