John Minchillo/AP
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Brasil e Turquia avaliam retomar pacto da era Lula sobre programa iraniano

Nova proposta para tentar encontrar saída diplomática à crise nuclear do Irã envolveria a participação da Suécia

Leonencio Nossa, enviado especial, e Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

25 de setembro de 2012 | 00h05

NOVA YORK - Os governos do Brasil e da Turquia avaliavam na segunda-feira a possibilidade de retomar a Declaração de Teerã, um acordo construído pelos dois países em 2010 para intermediar a crise provocada pelo programa nuclear iraniano. Desta vez, a parceria contaria com a Suécia.

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Num almoço em Nova York, os ministros de Relações Exteriores Antonio Patriota (Brasil), Ahmet Davutoglu (Turquia) e Carl Bildt (Suécia) discutiram as afinidades dos discursos contra soluções de intervenção militar.

No encontro, os ministros reafirmaram que os governos brasileiro, turco e sueco consideram que o diálogo deve prevalecer na busca de uma solução também para o caso da Síria. Eles demonstraram ainda preocupação com o clima de intolerância religiosa que pode ser usado como discurso para intervenções militares, disseram diplomatas brasileiros.

Em maio de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, assinaram acordo com o governo iraniano que obrigaria Teerã a entregar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para ser armazenado na Turquia. O governo dos EUA fez críticas imediatas à intermediação do Brasil e da Turquia e conseguiu aprovar, no mês seguinte, a Resolução 1.929 na ONU, com uma série de sanções contra o Irã.

A vitória dos EUA no Conselho de Segurança da ONU foi arrasadora. Dos 12 membros do conselho, Brasil e Turquia foram os únicos países que votaram pela rejeição à proposta de sanções contra o Irã. O Líbano, que se posicionava ao lado de brasileiros e turcos, absteve-se. Embora o Brasil tenha deixado o assento temporário no Conselho de Segurança, a proposta de uma solução negociada teria mais condições de ser aprovada, avaliam diplomatas.

Na época, a China e a Rússia votaram em favor de sanções contra Teerã, mas conseguiram diminuir o impacto do texto que os EUA, a França, a Grã-Bretanha e a Alemanha elaboraram.

Depois da crítica americana e da derrota no Conselho de Segurança da ONU, Lula e Erdogan reclamaram que o próprio presidente dos EUA, Barack Obama, tinha solicitado por meio de cartas uma intermediação dos dois países na crise com o Irã.

Patriota e Davutoglu chegaram a falar claramente no almoço de ontem que, agora, uma Declaração de Teerã teria mais aceitação de outros países. A presença da Suécia seria o primeiro sinal de que a discussão internacional sobre o programa iraniano poderia ter mais mediadores.

Síria

Com 20 mil mortos a mais na Síria em relação ao ano passado e o conflito civil se agravando cada vez mais, a Assembleia-Geral da ONU inicia hoje um debate com o tema "Respeito à lei e prevenção de guerras", em uma clara advertência da entidade para o fracasso da comunidade internacional na tentativa de resolver a crise síria.

O grande destaque desta semana no fórum será a presença de líderes eleitos democraticamente depois da Primavera Árabe, como o presidente do Egito, Mohamed Morsi, além de governantes da Líbia e da Tunísia. Essa assembleia também será a última de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, que encerrará seu mandato no ano que vem.

Como sempre ocorre, o discurso de abertura será do Brasil, com a presidente Dilma Rousseff. Em seguida, será a vez de Barack Obama, que tem dado pouca atenção à assembleia.

 

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