Brasil e Turquia negociam acordo com Irã, dizem diplomatas

Turquia e Brasil estão tentando retomar um acordo nuclear que evitaria novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã, disseram diplomatas ocidentais nesta sexta-feira.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

30 de abril de 2010 | 17h52

A China e a Rússia, que relutantemente negociam uma nova resolução contra o Irã com Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha, estão preparados para dar aos turcos e brasileiros o tempo necessário para mediar o acordo, segundo essas fontes.

Os diplomatas ocidentais deixaram clara sua insatisfação com a notícia, que provavelmente adiaria a votação de um quarto pacote de sanções do Conselho de Segurança contra o Irã. Esses diplomatas esperavam ter o texto da resolução pronto antes da conferência nuclear de 3 a 28 de maio, enquanto a previsão é de que as negociações envolvendo Turquia e Brasil durem pelo menos até junho.

Brasil e Turquia ocupam vagas temporárias no Conselho e, segundo diplomatas, que pediram anonimato, ajudaram a mediar uma contraoferta do Irã à proposta da ONU sobre troca de combustível nuclear.

Pela oferta original, o Irã enviaria urânio baixamente enriquecido para que fosse processado na Rússia e na França, de modo a servir para uso em um reator médico de Teerã. Dessa forma, a República Islâmica não teria razão para enriquecer urânio até níveis considerados preocupantes por potências ocidentais, que temem o desenvolvimento secreto de armas nucleares. Teerã insiste no caráter pacífico de suas atividades.

Em outubro, o governo do país concordou em princípio com os termos da proposta, mas depois recuou.

No domingo, o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, apresentou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) a contraproposta iraniana, que diplomatas ocidentais disseram ter poucas chances de ser aceita.

Brasil e Turquia já haviam manifestado anteriormente sua disposição em mediar o impasse entre o Irã e o Ocidente. Não ficou imediatamente claro quanto tempo a Rússia e a China darão para que os dois países atuem.

Os diplomatas ocidentais se mostraram céticos quanto à mediação, mas afirmaram que não vão se chocar com Rússia e China, que têm poder de veto no Conselho de Segurança.

"Ninguém vai ficar no caminho de negociações sérias", disse uma fonte à Reuters. "Mas será que o Irã leva essa oferta a sério? Ou é mais uma tentativa de ganhar tempo e evitar sanções, como já ocorreu?"

(Reportagem adicional de Andrew Quinn, em Washington; e de Sylvia Westall, em Viena)

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