Dai Kurokawa/EFE
Dai Kurokawa/EFE

Brasil é um dos países menos receptivos a refugiados, diz ONU

Estudo feito em meio à maior crise da história mostra o País na 137ª posição entre as 197 nações avaliadas

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S. Paulo

20 Junho 2016 | 05h00

O Brasil é um dos países menos solidários com a crise de refugiados no mundo. Dados revelados ontem pela ONU apontam para as baixas taxas de recepção de estrangeiros no Brasil, diante da maior crise de refugiados da história e com um novo recorde de mais de 65 milhões de pessoas afetadas pelo mundo. 

Se o número absoluto de estrangeiros no Brasil pode ser importante, a entidade calcula a capacidade de um país tendo em vista o tamanho de sua população e de sua economia. Por esses critérios, o Brasil tem sido um dos menos abertos. 

No total, haviam 8,7 mil refugiados no Brasil até o final de 2015. Outros 20,8 mil casos aguardavam definição. O governo de Dilma Rousseff anunciou a concessão de vistos humanitários aos sírios e, no início do ano, prorrogou a iniciativa. 

Mas, para o Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), não é apenas os números absolutos que devem contar diante da pior crise de refugiados já registrada. Para cada mil brasileiros, existe apenas 0,04 refugiado no País, uma das menores taxas do mundo. Em contraste com o Líbano, onde há mais de 180 refugiados para cada mil pessoas. 

São 32 para cada mil habitantes na Turquia, mais de 80 para cada mil jordanianos e 8 para cada mil suíços. 

Por esse critério, o Brasil ocupa apenas a 137ª posição entre as nações mais generosas entre 197 países avaliados. Governos europeus duramente criticados por fechar suas fronteiras aos refugiados recebem, em termos proporcionais, um número maior que o Brasil, entre eles Grécia, Hungria, Itália, Portugal ou França. 

Pela dimensão territorial, o Brasil também mostra que não é dos mais abertos e ocupa apenas a 148ª posição. O País tem apenas 1 refugiado para cada mil quilômetros quadrados. Na Dinamarca, são 616 refugiados para o mesmo território. Em Uganda, são mais de 1,9 mil refugiados para cada mil quilômetros quadrados. Em termos econômicos, o Brasil também não mostra solidariedade e ocupa a modesta 76ª posição. Os dados apontam para apenas 0,5 refugiado por dólar do PIB. 

Para fontes do alto escalão do Acnur, os números colocam em questão a imagem que a diplomacia nacional tentou passar nos últimos anos de um país aberto a receber refugiados. 

Recorde. O número de refugiados no mundo atinge um patamar sem precedentes. Ao final de 2015, mais de 65 milhões de pessoas estavam fora de suas casas, cidades ou países, na pior crise já registrada, indica estudo da ONU. A entidade alerta que, ao contrário da percepção que partidos políticos na Europa tentam criar de que estão sendo “invadidos”, países pobres recebem sete vezes mais estrangeiros que as economias ricas.

No total, 65,3 milhões de pessoas estavam deslocadas ao final de 2015, 10% a mais que em 2014. As crianças representam 51% dos refugiados do mundo. Apenas três nacionalidades – 4,9 milhões de sírios, 2,7 milhões afegãos e 1,1 milhão de somalis – somam metade dos refugiados do mundo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.