Brasil elogia recuo de Guatemala e Venezuela na ONU

O governo brasileiro manifestou ontem sua satisfação - e alívio - com a decisão da Venezuela e da Guatemala de desistirem de suas candidaturas para o posto não-permanente reservado para a América Latina e Caribe no Conselho de Segurança das Nações Unidas no período 2007-2008. Ambos os países apresentaram seus respectivos apoios à candidatura do Panamá. A aprovação do Panamá como candidato ficou em suspenso nesta quinta-feira, após reunião dos 34 países latino-americanos e do Caribe, que pediram mais tempo para analisar a proposta, de acordo com a agência de notícias Associated Press. A candidatura panamenha foi apresentada na quarta-feira como alternativa de consenso pela Venezuela e a Guatemala. A costura do consenso em torno do Panamá deverá permitir a eleição do país por aclamação na reunião da Assembléia Geral do próximo dia 7. Em nota, o Itamaraty reiterou que, diante da impossibilidade de a Venezuela e a Guatemala conquistarem os votos de dois terços dos membros da Assembléia Geral nas 47 rodadas de votação ocorridas, defendera a indicação de uma candidatura de consenso. Nas últimas semanas, o próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia alertado para o inevitável desgaste para a América Latina se a Venezuela e a Guatemala mantivessem a disputa. A nota do Itamaraty ressaltou a satisfação com a superação do impasse. "O Brasil congratula a Venezuela e a Guatemala pelo espírito de cooperação que inspirou a decisão de abdicar de suas justas postulações a uma vaga eletiva no Conselho de Segurança", informa a nota. "O Brasil congratula também o Panamá pela pronta disposição de colaborar para o consenso, e está seguro de que o país oferecerá contribuição positiva para os trabalhos do Conselho de Segurança", completou. O governo brasileiro manteve apoio formal à Venezuela até a desistência, embora não escondesse o desconforto com a candidatura - ampliado com o discurso do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na abertura das sessões da Assembléia Geral, em setembro. Na tribuna da ONU, Chávez chamou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de "diabo". O apoio do Brasil à Guatemala não foi cogitado pelo Itamaraty. A diplomacia brasileira, entretanto, não moveu nenhuma palha em favor da candidatura de seu vizinho e novo parceiro no Mercosul, ao contrário dos esforços empreendeu nos bastidores da eleição do chileno José Miguel Insulza para a Organização dos Estados Americanos (OEA), em abril. Claramente posicionado como país fora da disputa, mesmo como eventual candidato de consenso, o Brasil a acompanhou com especial atenção os movimentos na Assembléia Geral. Nas últimas semanas, Amorim manteve contatos freqüentes com diversos interlocutores, especialmente com os chanceleres da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guatemala, Gert Rosenthal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.