Brasil espera 'gesto' para embaixador reassumir

Planalto aguarda quetemperatura diplomática baixe e trégua vigore para mandar representante de volta a Tel-Aviv

IURI DANTAS , TANIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2014 | 02h00

O Brasil só voltará a ter um embaixador em Tel-Aviv após um cessar-fogo na ofensiva militar na Faixa de Gaza. Segundo fontes do Palácio do Planalto e da área diplomática, o governo espera um "gesto" de Israel para retomar a presença de um diplomata do mais alto nível, com plenos poderes para representar o Estado brasileiro no país. Esse gesto precisa mudar a situação que resultou na convocação do embaixador Henrique Sardinha Filho na quarta-feira passada, segundo fontes graduadas do governo Dilma Rousseff.

Integrantes da administração ouvidos sob condição de anonimato, uma vez que o governo deseja baixar a temperatura das declarações verbais em relação ao conflito, comparam nos bastidores o caso atual à última convocação de embaixador brasileiro do exterior.

Considerado um gesto simbólico fortíssimo nas relações diplomáticas, uma forma de transmitir descontentamento político e repúdio a uma situação específica, o expediente foi adotado em 2010, quando o Congresso paraguaio destituiu o presidente Fernando Lugo por meio de um processo considerado antidemocrático pelo Brasil e seus vizinhos latino-americanos. Naquela oportunidade, o País só voltou a ter um embaixador em Assunção após a normalização democrática com eleições livres.

O mesmo procedimento tende a ser usado agora, em relação a Israel, com a ressalva obrigatória de que mudanças políticas de vulto podem levar o governo brasileiro a reinterpretar sua posição. Neste intervalo, fontes do governo brasileiro disseram ao Estado que será quase nulo o prejuízo na relação bilateral, pois o número 2 da embaixada conduzirá o diálogo com o gabinete do premiê Binyamin Netanyahu.

A principal mensagem transmitida via canais diplomáticos para Israel nos últimos meses pode ser resumida como a certeza brasileira de que é chegada a hora da assinatura de acordos de paz, uma posição além dos longos e infrutíferos processos de negociação. Fontes do governo Dilma, no entanto, chamam atenção para uma importante distinção no momento atual.

A posição de Brasília não tem precedência sobre a questão humana criada pela ofensiva israelense. Em outras palavras, é preciso inicialmente interromper o uso de armamento, a escalada da morte de civis e só então haverá espaço para diálogo. A questão exige obrigatoriamente, segundo a visão brasileira, a chamada solução de dois Estados, com a criação de um Estado palestino na região.

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