Brasil espera para reagir; Unasul ameaça com sanções

Segundo fontes próximas do Planalto, Dilma aguarda posição de demais vizinhos; Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela denunciam golpe

TÂNIA MONTEIRO , ENVIADA ESPECIAL / RIO , ROBERTO SIMON , ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h01

A avaliação do governo brasileiro ontem era de que as 24 horas seguintes seriam cruciais para uma tomada de decisão dos países integrantes da Unasul, em relação ao novo governo paraguaio. O Planalto não quer se pronunciar oficialmente sobre a questão e o Brasil não vai tomar nenhuma posição isolada, de reconhecimento ou não do novo governo, de acordo com auxiliares da presidente Dilma Rousseff.

Apenas algumas horas depois da votação no Senado em Assunção, Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina já anteciparam que consideraram a deposição de Lugo um golpe de Estado e não reconhecerão o novo presidente do país, Federico Franco. O Chile considerou que o processo não cumpriu "padrões mínimos" do direito de defesa de qualquer pessoa. República Dominicana e Costa Rica também protestaram.

Da parte dos EUA, com o cuidado de não qualificar o impeachment de Lugo como um golpe, o Departamento de Estado afirmou estar "preocupado" com a situação no país. No Rio, onde participava dos eventos da Rio+20, a secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou que Washington está "acompanhando de perto" os acontecimentos em Assunção. Sua porta-voz, Victoria Nuland, disse ser necessária a consistência de qualquer resolução do Senado paraguaio com a democracia e a Constituição do país.

No Brasil, Dilma - que na véspera da votação via o processo como um golpe - teria avaliado que "o momento é de cautela", informou um auxiliar da presidente, acrescentando que a hora é de analisar todo o processo à luz da Constituição paraguaia.

Outro interlocutor do Planalto informou que o clamor ou não da população paraguaia e a reação positiva ou negativa neste período pós-impeachment, serão determinante para a decisão pelo Mercosul e Unasul. "Até agora, as manifestações foram pífias", disse um interlocutor palaciano. Ele explicou que, se não houver manifestações a favor de Lugo, de forma contundente, isso significa que o ex-presidente paraguaio já tinha perdido sua força política e tem grande responsabilidade na situação que se desenhou.

Telefonema. Mais cedo, antes do desfecho, Dilma entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, integrante da comissão de 12 chanceleres que foi até a capital paraguaia levar o recado dos presidentes da Unasul. O grupo considera o processo de cassação "apressado demais". A presidente chegou a conversar com Lugo, pela manhã, antes da conclusão do impeachment. Ele informou que recorreria à Corte Suprema para tentar evitar seu afastamento.

Em Assunção, também antes da votação no Senado, um comunicado da Unasul dava a entender que o Paraguai seria alvo de sanções internacionais, incluindo a suspensão do Mercosul e Unasul. "Não foi concedido o pleno direito à defesa", afirmou o chanceler venezuelano, nicolás Maduro concluindo que a manobra do Legislativo do Paraguai foi "um golpe institucional".

Ao Estado, o porta-voz do Itamaraty, embaixador Tovar Nunes, qualificou de "execução sumária" e "jogo de cartas marcadas" o processo contra Lugo. Antes de saber da decisão dos senadores paraguaios, Nunes afirmou que a deposição do presidente deve levar países sul-americanos a suspender Assunção de mecanismos como Mercosul, Unasul e Celac.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.