ROEL ROZENBURG/AFP
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Brasil está 'equivocado' ao conceder asilo a senador boliviano, diz Morales

Roger Pinto, líder da oposição, alega sofrer perseguição política por criticar o presidente da Bolívia

estadão.com.br,

13 de junho de 2012 | 16h33

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quarta-feira, 13, que o Brasil está "equivocado" por ter concedido asilo político ao senador Roger Pinto, líder da oposição conservadora, e anunciou que enviará a Brasília documentos sobre as denúncias de suposta corrupção desse parlamentar.

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Morales declarou que não acredita que o asilo possa "proteger" Pinto, acusado por seu Governo de violação de direitos humanos e corrupção. "Vamos passar a documentação ao Brasil, para avaliarem esta situação que envolve muitos temas judiciais e penais", disse o presidente em entrevista coletiva em La Paz.

Da mesma forma, seu vice-presidente, Álvaro García Linera, classificou na última terça, 12, como "insensata" a decisão do Governo brasileiro. Segundo Linera, Pinto deve responder à justiça por assassinato e desvio de recursos públicos, entre outros delitos.

Na Bolívia, a oposição e organismos de direitos humanos acusam Morales de manipular a maioria dos juízes e promotores, o que impede processos justos e imparciais. Diante disso, dezenas de políticos e empresários buscaram refúgio no Brasil, Estados Unidos, Espanha, Paraguai ou Peru.

"Os 21 opositores mais importantes enfrentam julgamento. Chama a atenção que não há uma figura opositora que não tenha um processo", destacou hoje o jornal de La Paz "Página Sete".

Refugiado na embaixada brasileira em La Paz há duas semanas, Pinto pediu asilo ao Governo de Dilma Rousseff alegando perseguição política por criticar Morales e acusá-lo de não atuar contra o narcotráfico. O Ministério das Relações Exteriores (MRE)do Brasil informou , em nota, que o asilo foi concedido "à luz das normas e da prática do Direito Internacional Latino-Americano e com base no artigo 4.º, inciso X, da Constituição Federal".

Senador pela região nortista de Pando, Pinto se queixou que há mais de 20 processos penais contra ele, todos abertos pelo Governo e cada "um mais descabelado que o outro", segundo ele.

Enquanto isso, Morales reiterou nesta quarta que na Bolívia não há perseguição política, mas "delinquentes políticos", e repetiu sua teoria: "Quem quer escapar a outro país sabe que cometeu delitos".

Com informações da Efe

 

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