Brasil está pronto para ocupar espaço do mercado colombiano na Venezuela, diz ministro

Miguel Jorge disse que país está pronto para vender e que acordos dependem da Venezuela.

Claudia Jardim, BBC

20 de agosto de 2009 | 21h48

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Miguel Jorge, disse, em entrevista à BBC Brasil nesta quinta-feira, que as empresas brasileiras "estão prontas" para ocupar o espaço do mercado colombiano na Venezuela.

"Temos capacidade de produção, competitividade e temos proximidade em relação à logística", afirmou o ministro em entrevista à BBC Brasil.

Miguel Jorge, que lidera uma comitiva com 80 empresários brasileiros que negociam novos acordos comerciais com o governo venezuelano em Caracas, disse que agora só depende do governo da Venezuela.

"Depende do comprador, estamos prontos para vender, independentemente das razões", acrescentou.

Crise

A Venezuela congelou as relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia após o anúncio, pelo governo colombiano, de um acordo militar que pode permitir aos Estados Unidos a utilização de sete bases militares na Colômbia.

Em resposta, Chávez decidiu "congelar" as relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia, argumentando que a instalação das bases são uma "ameaça à paz regional" e a seu governo.

Na ocasião, o governo da Venezuela anunciou um plano de substituição de importações colombianas, que, de acordo com funcionários do governo, pode ser concluído em um ano.

Nesta quinta-feira, o ministro Miguel Jorge indicou que o Brasil estaria disposto a ocupar o espaço que será deixado pela Colômbia na pauta de importações venezuelanas.

Se isso ocorrer, e o Brasil ganhar a disputa com a Argentina, que também está de olho em ocupar espaços dos empresários colombianos, o país pode se converter no segundo principal parceiro comercial da Venezuela, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, cuja pauta de exportações está baseada no setor petrolífero.

Mercosul

Oministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio defendeu a entrada da Venezuela ao Mercosul - processo em tramitação no Congresso Nacional - como caminho para incrementar o fluxo comercial entre Brasil e Venezuela.

"Os empresários são muito pragmáticos. Se a Venezuela não fosse boa para nós, nós não estaríamos aqui", acrescentou.

O deputado federal William Woo (PSDB) da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional , que até agora se opunha à entrada da Venezuela ao Mercosul , disse que o pragmatismo o fez mudar de idéia. Woo acompanha a comitiva empresarial em Caracas.

"Quando vi os números da balança comercial, deixei de me preocupar com a leis venezuelanas para rádio e televisão, se deram a concessão ou não para um canal (RCTV). A Venezuela é o principal parceiro comercial do Brasil, é um mercado aberto que nos privilegia, diferente da Argentina", afirmou à BBC Brasil.

No ano passado, a balança comercial com a Venezuela alcançou US$ 5,7 bilhões com superávit de US$5,1 bilhões para o Brasil. Em consequência da crise econômica internacional, neste ano o comércio bilateral pode sofrer uma queda de até 15%.

Entre os novos acordos que podem ser fechados com o governo venezuelano está a venda de 20 aviões comerciais da Embraer com um valor estimado em US$ 700 milhões.

Outros convênios nas áreas de agricultura, defesa e tecnologia também podem ser assinados no próximo encontro bilateral entre Chávez e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi adiada devido a Cúpula da Unasul, sem nova data prevista.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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