Brasil estuda recorrer à ONU após medidas contra embaixada, diz Amorim

Segundo chanceler brasileiro, corte de água e energia em Honduras são injustificáveis.

Camila Viegas-Lee, BBC

22 de setembro de 2009 | 17h39

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira, durante uma coletiva em Nova York, que o Brasil estuda enviar uma carta ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para abordar a questão da segurança da embaixada brasileira na capital de Honduras.

Segundo Amorim, a eventual medida seria uma resposta aos cortes de água e energia elétrica na representação diplomática ordenados pelo governo interino de Honduras, como retaliação à presença do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, na embaixada.

Além disso, segundo o ministro, o governo interino de Honduras teria enviado uma "nota impertinente e em termos inadequados" à embaixada onde afirmava que iria "blindar" as imediações do prédio.

A medida também se justificaria pela "preocupação" causada no governo brasileiro pelo uso de bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes nas proximidades da representação.

"Como precisamos estar precavidos, estamos considerando uma carta ao Conselho de Segurança da ONU sobre a impenetrabilidade das embaixadas", disse Amorim, que afirmou que tomará a decisão sobre o envio da carta ainda nesta terça-feira.

'Selvageria'

O chanceler brasileiro afirmou ainda que os cortes "não se justificam (...), principalmente porque há cerca de 70 pessoas na embaixada, inclusive três crianças".

"Não há tolerância com essa situação, queremos resolver de maneira pacífica", disse.

Segundo Amorim, o governo brasileiro também está em contato com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e com a embaixada norte-americana em Honduras para facilitar a eventual retirada de algumas pessoas que estão na embaixada brasileira e seu transporte para um local seguro.

Apesar de estudar medidas de "precaução", Amorim disse não acreditar que o governo interino de Honduras tome medidas mais radicais contra a embaixada brasileira.

Segundo ele, sua opinião é baseada no fato de isto nunca ter acontecido antes e em "informações indiretas" de que o governo interino de Honduras não estaria disposto a tomar tais atitudes.

Para o chanceler, qualquer outra medida contra a embaixada seria "uma prova de selvageria e desrespeito ao direito internacional".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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