Brasil estuda rede de monitoramento para cruzeiros

O sistema já vinha sendo planejado pelas autoridades antes do naufrágio do Costa Concordia, na Itália

MARCELO DE MORAES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h01

O governo federal deverá criar um sistema de monitoramento dos navios transatlânticos que realizam cruzeiros marítimos pela costa brasileira. O projeto, chamado Torre de Controle, começou a ser discutido na semana passada pelo Grupo de Trabalho de Turismo Náutico e foi proposto poucos dias antes do naufrágio do navio Costa Concordia, na Itália.

Integrantes do grupo de trabalho confirmam que a próxima reunião, em fevereiro, incluirá também a discussão sobre o risco de acidentes com essas embarcações justamente em razão do problema com o transatlântico italiano. Antes de naufragar na Ilha de Giglio, o Costa Concordia já tinha navegado também pelo litoral brasileiro.

O Estado teve acesso a pontos do projeto Torre de Controle. A ideia é fazer o ordenamento das escalas dos transatlânticos de acordo com a capacidade de infraestrutura portuária de cada destino a ser visitado.

O sistema informatizado permitirá maior integração e o compartilhamento de informações entre os órgãos envolvidos no monitoramento e na fiscalização da atividade turística realizada por esses navios de cruzeiro.

A coordenação do projeto Torre de Controle é feita pelo Ministério do Turismo e tem a participação de outros órgãos do governo, como Marinha e os ministérios das Relações Exteriores, da Justiça e do Meio Ambiente, da Secretaria da Receita Federal, da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre outras, além de instituições públicas e privadas relacionadas com essa atividade.

Na verdade, a criação do sistema de monitoramento não foi proposta como reação ao naufrágio do Costa Concordia, mas motivada pela preocupação com o significativo aumento do trânsito desse tipo de embarcação na costa brasileira, pelo crescimento do setor turístico e também pela proximidade da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O acidente com o transatlântico italiano acabou ampliando o interesse por essa discussão, sendo que a parte de segurança marítima é coordenada pela Marinha.

No caso da Copa do Mundo, o governo avalia que haverá maior presença de navios de cruzeiros até como forma de suprir as carências da rede hoteleira no País. Esses mesmos barcos, possivelmente, ficarão parados perto das cidades-sede das partidas da competição e se deslocarão intensamente por pontos turísticos da costa próximos aos locais desses jogos.

Nas próximas reuniões do grupo de trabalho, outros pontos do projeto deverão ser detalhados. Uma das ideias entre as possíveis soluções estudadas pela área técnica para a Torre de Controle é o uso da internet, com informações online e de dispositivos móveis com previsão de envio de alerta aos interessados para facilitar a integração entre as agências fiscalizadoras.

De acordo com as primeiras análises do grupo de trabalho, um benefício imediato na adoção do Torre de Controle será uma melhor organização portuária e o aumento na velocidade do fluxo de informações entre os interessados.

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