Wilson Dias/Agência Brasil
Wilson Dias/Agência Brasil

Brasil estuda 'troca de dívidas' com Venezuela caso Maduro caia, diz chanceler

Segundo Ernesto Araújo, dívidas venezuelanas com empresas brasileiras podem ser trocadas pelo que o País tem de pagar a Caracas por energia em Roraima

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 18h17

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse nesta sexta-feira, 1, que um dos planos do governo para ajudar a Venezuela caso o presidente Nicolás Maduro deixe o poder é oferecer uma troca de dívidas do governo venezuelano com empresas brasileiras pelo que o País tem de pagar a Caracas pelo fornecimento de energia elétrica a Roraima. 

No passado, o Brasil tentou negociar com  a Venezuela que o valor devido pelo fornecimento de energia para Roraima fosse abatido desse valor, mas Caracas foi contra e exigia o pagamento em dólares.

Segundo o chanceler, a questão deve ser discutida em breve em um grupo interministerial. Na próxima semana, o ministro participa de uma reunião do Grupo de Lima no Canadá, mas disse que não existe uma proposta específica para a reunião. Ainda de acordo com ele, com a democracia restabelecida na Venezuela, os integrantes do Mercosul poderão estudar a reintegração do país ao bloco. 

Araújo também rebateu o vice-presidente Hamilton Mourão, que defendeu uma solução para que Maduro saia da Venezuela, e disse que o Brasil não está envolvido em negociar uma saída para o líder bolivariano. "Todos esperamos que a saída para Maduro seja a porta da rua", afirmou. 

Em sua primeira entrevista coletiva, o ministro disse também que o governo brasileiro teve um papel importante na crise venezuelana. Segundo o chanceler, o Brasil sugeriu ao Grupo de Lima uma proposta que exigisse que Maduro não assumisse o seu segundo mandato, além e dar espaço a lideranças opositoras. 

No começo de janeiro, o Parlamento venezuelano, presidido por Guaidó, declarou o presidente ilegítimo e o deputado se nomeou presidente interino. “Há um mês, não imaginaríamos ter perspectiva concreta de redemocratização da Venezuela. O que mudou nesse cenário de um mês foi o Brasil, tem tudo a ver com determinação de Bolsonaro de promover democracia na região", afirmou. “Estamos conseguindo mudar a realidade em país vizinho por meio da ação diplomática.”

Araújo ainda disse acreditar em supostos “planos de dominação continental do Foro de São Paulo na América Latina” e que o regime de Maduro era parte de “um esquema internacional que queria ganhar poder sobre o continente com o auxílio do narcotráfico e do terrorismo”. 

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