Brasil exportará petróleo para a Venezuela, anuncia FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso informou nesta sexta-feira que a Petrobras exportará petróleo e derivados para a Venezuela como forma de ajuda. Trata-se de uma resposta ao pedido feito pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, que enfrenta uma crise de abastecimento provocada pela adesão dos petroleiros às greves e manifestações de organizadas pela oposição. FHC defendeu o entendimento entre os grupos que disputam o poder na Venezuela como meio de evitar o conflito generalizado no país e declarou que o Brasil se manterá aberto a ajudar o vizinho. No Itamaraty, em Brasília, a percepção é a de que os riscos de golpe de Estado e de guerra civil são maiores a cada dia. "O que for preciso fazer para a ajudar a Venezuela, será feito", disse FHC no aeroporto internacional de Rio Branco, pouco antes de embarcar para a fronteira com o Peru, onde inaugurou a rodovia do Pacífico, ao lado do presidente peruano, Alejandro Toledo. Fernando Henrique não detalhou como se dará a ajuda brasileira para contornar a escassez de combustíveis. O presidente apenas afirmou que o acerto se dará diretamente entre a estatal daquele país, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) e a Petrobras. A iniciativa é considerada como uma ajuda tópica. A preocupação de FHC e de seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, bem como da equipe de diplomatas que continuará acompanhando os acontecimentos em Caracas, continua a crise política. "Achamos que deve existir algum gesto que aproxime as duas facções", disse Fernando Henrique, referindo-se aos grupos que apoiam a permanência de Chávez no poder até o final de seu mandato, em 2006, e a oposição, que vem fomentando uma greve geral que se arrasta há 20 dias e que pede a antecipação do calendário eleitoral. "É preciso tomar muito cuidado. Nesse momento, é melhor propor uma conciliação que evite o confronto. Nós não queremos ver um país irmão com essas dificuldades", disse o presidente. A avaliação da diplomacia brasileira de que os riscos de ruptura institucional da Venezuela tornam-se cada vez mais fortes vem assombrando a cúpula do ministério bem mais que a hipótese de conflito no Iraque. Uma das razões está no fato de que, em caso de guerra interna, o Brasil teria muito pouco a fazer. Empresas brasileiras que investiram em projetos de infra-estrutura no vizinho teriam pesados prejuízos. Esses riscos vêm sendo percebidos pelo presidente eleito, que enviou na última quarta-feira seu assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, para Caracas com a missão de colher informações e observar o esforço de mediação de uma solução pacífica conduzido pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria. Tanto o atual quanto o próximo governo do Brasil coincidem que Chávez foi eleito conforme as normas constitucionais do país. Também estão convencidos que somente uma reforma constitucional mais profunda no capítulo sobre a escolha do presidente venezuelano, apoiada por ambos os lados em conflito, poderá resolver o problema. Fernando Henrique reiterou que o Brasil sempre se manteve favorável à legalidade. "Vamos continuar defendendo isso." Tânia Monteiro e Denise Chrispim Marin

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.