'Brasil faz ajustes em seu papel na crise em Caracas', diz José Miguel Vivanco

Qual o peso da mediação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) na crise venezuelana?

Entrevista com

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2014 | 02h05

Até agora, a ação da Unasul foi mais construtiva do que a da OEA (Organização dos Estados Americanos). Em razão do bloqueio da Venezuela, a OEA não se pronunciou em relação às violações dos direitos humanos e dos retrocessos democráticos na Venezuela. A Unasul conseguiu pelo menos enviar uma delegação de chanceleres e abrir o diálogo entre as partes, mas ainda não vimos resultados concretos. É necessário o desarmamento dos grupos (paramilitares) que atuam com total impunidade, o fim das violações de direitos pelas forças de segurança, a libertação imediata dos que estão detidos arbitrariamente e o restabelecimento da independência do Poder Judiciário.

Essa situação pode levar ao descrédito da OEA?

Graças ao esforço dos países que formam a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), a OEA perdeu força em seus compromissos na defesa das liberdades públicas, dos direitos fundamentais, da democracia. Isso desacredita a instituição, que é uma instância muito importante, que conta com uma série de tratados internacionais que obrigam os Estados a respeitarem os direitos humanos, algo inexistente nos outros blocos de Estados, como a Unasul. Por isso, é importante defender essa instância como um fórum ideal para tratar desses temas.

Como o sr. avalia a atuação do Brasil?

O Brasil teve problemas sérios de credibilidade no caso da Venezuela, primeiro porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez campanha para o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fato bastante incomum na América Latina, o que levou a dúvidas sobre a posição do Brasil. Depois, porque o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, é abertamente simpatizante dos governos da Alba, em especial do governo da Venezuela. No entanto, no último processo da Unasul, o chanceler brasileiro, (Luiz Alberto) Figueiredo teve uma conduta construtiva e imparcial e creio que o Brasil está fazendo ajustes importantes em seu papel na crise da Venezuela.

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