Brasil faz crítica velada a Ahmadinejad na ONU

Embaixadora do País não cita nomes, mas condena ?discurso de intolerância? em cúpula

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

Ainda que de forma velada, o Brasil criticou ontem o Irã na ONU, ao declarar que a conferência contra o racismo que termina hoje em Genebra não deveria ter servido de "um palco para fomentar a intolerância". Teerã respondeu, alertando as críticas do Brasil não eram um bom sinal, às vésperas da viagem do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao País, em maio. O governo, porém, optou por não citar nominalmente o Irã ou Ahmadinejad. O Itamaraty também evitou palavras como "condenação" ou "rechaço" - usadas por outros governos para criticar o discurso do líder iraniano de segunda-feira, no qual ele qualificou Israel de "racista" e voltou a questionar o Holocausto. "Uma conferência sobre tolerância não pode ser um palco para fomentar a intolerância, nem para diminuir o sofrimento do passado", disse a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo.Governos como o dos EUA, França, Alemanha, Argentina e Grã-Bretanha criticaram o discurso. Pelo menos 229 pessoas expulsas da ONU, quase todos membros de ONGs judaicas que tentaram interromper o discurso de Ahmadinejad.Segundo ela, um país não pode esperar que seus apelos sejam entendidos se, ao mesmo tempo, "a realidade dolorosa de outros é ignorada".Para completar, o Itamaraty ainda citou um poeta persa, Sa?adi. O poema usado serviu como um ataque diplomático aos iraniano e lembra que os direitos humanos são universais. "De uma só essência é a raça humana. Nisso a criação se baseou. Um membro impactado é suficiente para que todos os demais sintam o sofrimento", citou a embaixadora."Não promovemos o ódio, não citamos nenhum país nem acusamos ninguém", afirmou Hussein Rezvani, um dos principais negociadores da chancelaria iraniana. "Esses comentários (do Brasil) não são um bom sinal diante da visita (de Ahmadinejad)", disse. O Itamaraty emitiu uma nota há três dias condenando o conteúdo do discurso do iraniano. Já o embaixador do Irã na ONU preferiu acusar o Brasil de ter atendido a pressões das "potências ocidentais" por ter criticado o discurso de Ahmadinejad.Outros países da América Latina, por seu lado, estão divididos em relação ao Irã. Hoje, Cuba fará uma reunião com a alta cúpula das Nações Unidas para criticar a entidade por causa da forma como Ahmadinejad foi tratado. República Dominicana, Venezuela, Bolívia e outros países também aderiram à queixa.Já o Congresso Judaico Latino-Americano (CJL), emitiu ontem um comunicado, condenando a passividade de alguns líderes da região ao pronunciamento do iraniano, justamente na data em que se celebrava o Dia do Holocausto, quando se rende homenagem às vítimas desse nefasto capitulo da história.O brasileiro Jack Terpins, presidente do CJL, elogiou os governos de Brasil, Chile e Argentina, que condenaram a retórica "virulenta e mentirosa" de Ahmadinejad.

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