Brasil foi acusado de enviar agente químico a Pinochet

Ex-diretora do Instituto de Saúde Pública do Chile diz que substância achada em porão era do Instituto Butantan, de SP

SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h01

O Brasil foi envolvido, no mês passado, em uma denúncia de que o regime de Augusto Pinochet usou agentes químicos para eliminar opositores. Uma ex-diretora do Instituto de Saúde Pública (ISP) do Chile, Ingrid Heitmann, disse a uma agência de notícias alemã ter encontrado, em um porão ao lado do Estádio Nacional, frascos com toxinas botulínicas provenientes do Instituto Butantan, de São Paulo.

A substância altamente tóxica teria sido fornecida pelo Brasil a Pinochet nos anos 80, disse Ingrid, que chefiou o ISP no governo de Michelle Bachelet (2006-2010). "Eram caixas cheias de ampolas com toxina botulínica, suficientes para matar metade de Santiago. Se poderia matar muita gente, não sei quantos", disse.

Ingrid teria incinerado o material químico em 2008, sem avisar a Justiça nem seus superiores no governo Bachelet. As ampolas teriam sido encontradas por acaso, depois de ela ter ordenado uma limpeza nas geladeiras dos porões do ISP. Suspeita-se que alguns opositores chilenos tenham sido assassinados com agentes químicos pela temida Dirección de Inteligencia Nacional (Dina), a agência de espionagem de Pinochet. Entre as vítimas, estaria o ex-presidente Eduardo Frei.

Ao Estado, o ex-diretor do Instituto Butantan Isaías Raw disse que é "impossível" que o Brasil tenha repassado o agente químico de seu laboratório a Pinochet. "Nunca fornecemos nada. Nós fazíamos toxina botulínica apenas para uso interno, para fazer soro antibotulínico." Ainda de acordo com o professor, as ampolas não poderiam ter sido roubadas do Butantan sem que os pesquisadores percebessem.

"(O agente químico) ficava em um lugar sem nome na porta e com um portão de ferro pesado. Essa acusação foi uma fantasia inventada por alguém. Seria, por exemplo, muito mais fácil arrumar cianureto e jogar na comida da pessoa", afirmou Raw. / R.S.

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