Brasil insiste em não reconhecer eleições em Honduras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não reconhecerá o governo do novo presidente de Honduras, Porfírio Lobo, informou hoje o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach. Lobo, no entanto, tem insistido que deseja se aproximar do Brasil. E que procurará o presidente Lula quantas vezes for necessária para arrancar deste o reconhecimento a seu governo.

JOÃO DOMINGOS, Agencia Estado

07 de dezembro de 2009 | 18h14

"O presidente Lula é claro: o Brasil não pretende reconhecer o governo de Honduras porque ele foi eleito por um processo organizado por um governo ilegítimo", disse o porta-voz brasileiro. Para ele, também não há contradição entre a posição do presidente Lula e a da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, no ano que vem.

Dilma afirmou na semana passada, na Alemanha, que o governo brasileiro terá de considerar as eleições em Honduras nas discussões sobre a crise política daquele país. "O Brasil, como tem afirmado o presidente Lula, não reconhece a legitimidade da eleição de Honduras", reafirmou o porta-voz.

Dilma disse que em Honduras o governo brasileiro não discutia a eleição, mas o golpe de Estado. "Há uma diferença muito grande entre uma coisa e outra", disse Dilma. E acrescentou: "Acho que esse novo processo aí (a eleição) vai ter que ser considerado. Houve uma eleição."

O processo eleitoral em Honduras foi organizado pelo governo de facto, comandado por Roberto Michelletti, que em junho deu um golpe de Estado e derrubou o presidente Manuel Zelaya. Este acabou voltando à capital, Tegucigalpa, e se abrigando na embaixada brasileira. Desse modo, o Brasil acabou se envolvendo na crise política de Honduras.

A posição do presidente Lula em não reconhecer o novo governo de Honduras tem alimentado divergências com outros países, como os Estados Unidos. O governo de Barack Obama já anunciou que a crise de Honduras se resolverá com a eleição.

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