Brasil investiga contas de consulado na Argentina

Movimentação anormal de dólares provocou alerta feito pelo BC argentino às autoridades do Itamaraty; missão foi a Mendoza

O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2014 | 02h00

BRASÍLIA - O Itamaraty abriu nesta semana uma investigação sobre as contas do Consulado brasileiro na cidade argentina de Mendoza. O inquérito começou depois de o Banco Central da Argentina comunicar ao governo federal brasileiro - e também postos diplomáticos de outros países - sobre "movimentações atípicas" na conta em dólares da representação brasileira.

Uma missão foi enviada a Mendoza no início desta semana, mas ainda não deu informações sobre os avanços da investigação interna.

O governo argentino alega que as movimentações sinalizariam que o posto consular ou funcionários da representação brasileira - o Itamaraty ainda não sabe exatamente a que ou quem se refere a notificação do BC da Argentina - estariam comprando dólares no câmbio oficial e revendendo no paralelo, o chamado "câmbio blue".

Crise. Diplomatas e postos diplomáticos têm direito a manter uma conta em dólares nos bancos argentinos, da qual podem sacar a moeda americana pelo câmbio oficial, hoje em 8,40 pesos.

A "movimentação atípica" detectada pelo Banco Central argentino nos postos diplomáticos seria de saques acima dos valores habituais e vendas no paralelo, em torno de 14 pesos.

A denúncia argentina, feita por telegrama ao Itamaraty, fala em algumas centenas de milhares de dólares, o que levaria a crer em uma movimentação do posto consular, e não de ações individuais de funcionários.

O período das movimentações teria sido entre 2010 e 2013, quando o governo de Cristina Kirchner passou a controlar a saída de dólares do país, tentando evitar o desaparecimento de suas reservas cambiais. Já nos primeiros meses, o dólar paralelo pulou para uma diferença de 50% do oficial - de 4 pesos para 6 pesos.

Abismo. A diferença entre o câmbio oficial e o "blue" faz com que todas as despesas dos postos diplomáticos e de seu pessoal fiquem muito mais caras, já que as embaixadas são obrigadas a usar a cotação oficial - já que o paralelo é ilegal.

No caso da Venezuela, por exemplo, a diferença entre o preço oficial da moeda americana e o preço praticado no mercado irregular é ainda maior: a cotação paralela está em torno de 100 bolívares, enquanto o governo adota taxas que variam de 6 a 50, variando para tipos diferentes de operações.

A missão de investigação a Mendoza foi enviada pelo Itamaraty na última segunda-feira. Uma primeira reunião com o Banco Central argentino foi feita na terça-feira, mas o ministério informa que só divulgará detalhes quando tiver mais informações sobre o caso.

Até o momento, segundo informou o Itamaraty, nenhum funcionário está sendo formalmente investigado.

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