Brasil irá cooperar na reconstrução do Afeganistão

Depois de se esforçar pela participação do Brasil na reconstrução de infra-estrutura do Iraque e de enviar 1.213 militares brasileiros para a missão das Nações Unidas no Haiti, agora é a vez do Afeganistão. Em Londres, onde participou ontem de um fórum internacional sobre os desafios desse país asiático, submetido a uma invasão militar e à queda do regime Talibã em 2002, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou que o Brasil "está pronto" para cooperar com a reconstrução econômica do Afeganistão."Estamos prontos a oferecer nossa cooperação ao Afeganistão, principalmente nas áreas de análise do comércio exterior, recenseamento populacional, pesquisa agrícola, desativação de minas terrestres e assistência eleitoral", afirmou Amorim, para agregar, em seguida, as áreas de direitos humanos e combate à fome e à pobreza. "O Brasil está pronto para ampliar sua cooperação à medida que o Afeganistão retoma sua posição como um centro de comércio, cultura e civilização", reiterou, ao final de seu discurso na Conferência de Londres sobre o Afeganistão, organizado pelo governo britânico e a ONU.Em sua fala, Amorim destacou que as relações diplomáticas entre o Brasil e o Afeganistão foram retomadas pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hamid Karzai em 2004. Enfatizou ainda que o País posicionou-se favoravelmente às quatro últimas resoluções do Conselho de Segurança sobre o Afeganistão, que basicamente trataram da transição governamental e da reconstrução institucional e econômica do país, com o apoio internacional. Conforme destacou, a comunidade internacional "pagou um preço alto" pela sua negligência ao Afeganistão no passado. Amorim, entretanto, alterou a rota cooperativa de seu discurso para expor algumas de suas premissas para a política externa. Primeiro, em sua defesa do multilateralismo, o chanceler brasileiro destacou que o Brasil continuará a apoiar o "envolvimento da ONU no Afeganistão" e o novo chefe da Missão das Nações Unidas para a Assistência ao Afeganistão (UNAMA), Tom Koenigs, que anteriormente havia atuado na América Central. "As Nações Unidas assumiram corretamente um papel central na reconstrução do Afeganistão, conferindo assim a legitimidade indispensável às iniciativas internacionais no país", declarou, com o cuidado de não citar comparações com a iniciativa unilateral dos Estados Unidos e seus aliados - entre eles, o governo britânico - no Iraque. Depois, Amorim sustentou que a "construção da paz" deve aliar desafios institucionais e de desenvolvimento econômico, e não se limitar às questões de segurança. Nesse sentido, deixou claro seu aval à criação da Comissão de Construção da Paz, uma iniciativa do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que prevê a união dos esforços das diversas instituições das Nações Unidas, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial na pacificação. Por fim, Amorim argumentou que a experiência política recente do Afeganistão "desafia o falso paradigma do "choque de civilizações" por mostrar cidadãos das mais varias origens envolvidos na reconstrução do país. Contrapôs-se, portanto, à teoria do historiador americano Samuel Huntington, autor do celebrado "O Choque de Civilizações". Huntington defende a tese de que os atuais conflitos se dão na esfera cultural, especificamente no confronto entre as civilizações Ocidental e as Orientais (o Islã e a China).

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