, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

O Brasil e o Paraguai concederam esta semana refúgio a quatro opositores do presidente boliviano, Evo Morales. Na segunda-feira, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) reconheceu a condição de refugiado do ex-juiz Luis Tapia Pachi. No dia seguinte, foi a vez de o ex-governador do Departamento (Estado) de Tarija, Mario Cossío, obter o mesmo status por parte do Conare paraguaio.

Atualmente, o Brasil tem cerca de 120 refugiados bolivianos, segundo informou a agência EFE. No Paraguai, com o caso de Cossío, já são 65, de acordo com a imprensa da Bolívia.

Tapia chegou ao Brasil em julho alegando ser perseguido na Bolívia por tentar julgar um suposto complô para assassinar Evo, revelado em abril de 2009, no Departamento de Santa Cruz.

O ex-juiz tentou derrubar a versão de que uma conspiração pela independência da região planejava matar o presidente. Ele revelou elementos periciais que mostraram que policiais executaram os supostos conspiradores: o húngaro-boliviano Eduardo Rózsa, o húngaro Arpád Magyarosi e o irlandês Michel Dwyer.

Ao chegar ao Brasil, Tapia afirmou que havia na Bolívia uma ordem de prisão contra ele. Além de perseguição política, segundo o ex-juiz, ele e sua família haviam sofrido dois atentados e uma tentativa de sequestro. "Ele foi vítima de ações ilegais de nosso governo", declarou sua mulher, Erika Oroza, à televisão boliviana, evitando dizer o exato paradeiro do marido.

Depoimento. Na semana passada, um vídeo divulgado por TVs privadas da Bolívia mostra uma testemunha-chave do caso, cujo depoimento comprovaria o envolvimento de diversos empresários e políticos de Santa Cruz no suposto complô.

Ela teria recebido US$ 31,5 mil de um alto funcionário do governo boliviano. As imagens reforçam a versão de que o complô pela independência de Santa Cruz seria uma armação de La Paz para criar um clima de instabilidade que justificasse a perseguição de opositores.

Juntamente com Tapia, outros dois bolivianos conseguiram refúgio no País. Enquanto a oposição da Bolívia aplaudiu as decisões tomadas pelos Conares brasileiro e paraguaio, políticos governistas criticaram.

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, chegou a afirmar, na quarta-feira, que Cossío "não merecia" obter refúgio no Paraguai. No mesmo dia, contudo, La Paz afirmou que o caso não afetaria "de nenhuma maneira" a relação entre os dois vizinhos.

Perseguido. Cossío foi destituído do cargo de governador do Departamento de Tarija no mês passado. De acordo com o governo boliviano, denúncias de corrupção foram o motivo de sua queda. O ex-governador, no entanto, também acredita ser vítima de perseguição política. / EFE e AFP

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