Brasil leva 80 Leões no Festival de Cannes

Quantidade de prêmios foi recorde, superando os 65 troféus da edição passada

FERNANDO SCHELLER, ENVIADO ESPECIAL / CANNES, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2012 | 03h04

As agências brasileiras coletaram 80 Leões no Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade de 2012, superando o recorde de 65 prêmios do ano passado. Além do Grand Prix na categoria Rádio para a agência Talent, o Brasil colecionou 10 Leões de ouro, 17 de prata e 52 de bronze (o grande prêmio adiciona um Leão à conta). Das 15 categorias, as que o País mais se destacou foram Press (com 18 prêmios no total) e Outdoor (16). O Estadão é o representante oficial do festival no Brasil.

Entre as 15 categorias em disputa do festival, o Brasil foi premiado em 12, ficando de fora nas áreas de Titanium & Integrated (que considera trabalhos que integram bem diferentes mídias), PR (que mostra como a comunicação pode ajudar na gestão de crises de empresas) e Creative Effectiveness (que mede principalmente os resultados econômicos de uma campanha de propaganda e marketing).

O Brasil nunca teve tantos trabalhos inscritos no festival como neste ano. Ao todo, as agências nacionais enviaram 3.419 peças para a disputa - foi o segundo maior número de inscrições entre todas as nações participantes, perdendo apenas para os Estados Unidos, também líder em número de premiações. A americana Wieden+Kennedy foi considerada a agência do ano, seguida pela BBH London. A Ogilvy Brasil ficou em terceiro lugar.

Dos 15 Grand Prix em disputa, os americanos levaram sete, seguidos por Inglaterra e Alemanha (com dois). Brasil, França, Itália e Porto Rico levaram um cada. A China dividiu o grande prêmio da categoria Outdoor com a Alemanha. O Grand Prix brasileiro veio em uma mídia tradicional, o rádio. Venceu a campanha da agência Talent para a revista Go Outside.

A campanha patrocinava um programa de duas horas que transmitia em uma frequência que cientificamente ajuda a espantar mosquitos. Como a revista Go Outside é direcionada ao público que gosta de atividades ao ar livre, como trekking, bastava que os esportistas sintonizassem a emissora no horário das 17 horas às 19 horas (justamente o pico de "atividade" dos insetos) para ficar livre das picadas.

Agências. A agência Ogilvy trouxe quatro dos dez ouros conquistados por agências brasileiras (depois do Grand Prix, é o prêmio mais importante do festival). Como as categorias têm subdivisões, uma mesma campanha pode ganhar mais de um Leão - em Rádio, por exemplo, a campanha da Talent levou, além do grande prêmio, um ouro.

Os demais ouros vieram nas áreas de Mobile (AlmapBBDO para o cliente Bradesco); Outdoor (dois Leões para Giovanni+DraftFcb/JVC, um para a Ogilvy/Forbes Magazine e um para Age Isobar/Camp Néctar), Promo & Activation (Ogilvy/Coca-Cola e Ogilvy/Unilever), Press (Ogilvy/Claro), Branded Content & Entertainment (LiveAd/Nike).

Até sexta-feira, o Brasil somava 67 Leões e um Grand Prix. No último dia de premiação, levou mais 12 Leões para casa, elevando a conta total para 80.

Além do ouro para a campanha da corrida Rio-São Paulo da LiveAd para a Nike em Branded Content & Entertainment, que mede conteúdos temáticos desenvolvidos sob a tutoria de uma marca, o Brasil levou uma prata em Film (um comercial da AlmapBBDO para a Getty Images). Os outros dez prêmios foram bronzes.

Jurado na área de Film, o sócio e vice-presidente da Loducca, Guga Ketzer, afirmou que as produções brasileiras são prejudicadas na disputa pelos prêmios principais por causa da dificuldade em traduzir para o mundo aspectos da cultura local, algo que os americanos fazem com mais facilidade.

Ele diz, no entanto, que o resultado deste ano representou um avanço, já que o número de prêmios distribuídos caiu 30%. O júri definiu 69 Leões, sendo que seis ficaram com o Brasil. "Ficamos com quase 10% do total de Leões; no ano passado, a proporção foi de 5%."

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