AFP PHOTO / Sergio LIMA
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Brasil não aceita sanções unilaterais contra a Venezuela, diz Aloysio 

Chanceler deu declaração ao receber vice americano, Mike Pence; EUA anunciam doação de US$ 1,2 milhão para ajudar os esforços humanitários no acolhimento de refugiados venezuelanos

Julia Lindner e Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2018 | 18h19

O ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou nesta terça-feira, 26, que o Brasil não vai impor sanções unilaterais contra a Venezuela. "O Brasil não aceita sanções. Para nós, o tema da Venezuela está colocado onde deveria, na OEA (Organização dos Estados Americanos). Nós somos contra decisões unilaterais", disse.

"Eles (americanos) têm posição muito firme e não coincide exatamente com a nossa", avaliou Aloysio. O ministro garantiu que o governo brasileiro vai "até onde quiser ir".

Em visita ao Brasil, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, disse que é preciso "agir com mais firmeza" em relação à Venezuela e defendeu medidas de isolamento do governo de Nicolás Maduro. 

Ao informar que visitará amanhã um abrigo para refugiados venezuelanos em Manaus, Pence informou que os EUA já investiram US$ 20 milhões em programas para apoiar venezuelanos que deixaram seu país. 

Para os esforços humanitários, foram doados US$ 40 milhões. Hoje, ele anunciou um aporte adicional de US$ 10 milhões, dos quais US$ 1,2 milhão diretamente no Brasil.

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Segundo ele, Brasil e outras nações devem "adotar mais atitudes para isolar o regime de Maduro". "Chegou a hora de agir com mais firmeza", disse. Ele acrescentou que, ao fazer isso, os países terão um "parceiro firme" na região.

O recado foi dado após almoço com o presidente Michel Temer no Palácio Itamaraty. "Como o presidente Trump deixou claro, os Estados Unidos não serão meros observadores da situação", frisou.

Pence agradeceu o "forte apoio" do Brasil às sanções econômicas adotadas por seu país e conclamou a liderança do Brasil em outras iniciativas para isolar o regime de Caracas. 

Ele ressaltou os esforços do Brasil para suspender a Venezuela do Mercosul, a atuação "preponderante" no Grupo de Lima e a aliança feita neste mês para iniciar o processo de suspensão da Venezuela da OEA.

A Venezuela, disse Pence, já foi um dos países mais ricos da região, mas hoje está falida. "Outrora rica, está pobre. Antes livre, está pressionada. O colapso do país, disse ele, tem repercussão em toda a região. O regime de Maduro provocou o que chamou de "maior êxodo da história do hemisfério", com a saída de 2 milhões de pessoas da Venezuela.

Na avaliação de Pence, Maduro construiu uma "ditadura brutal", prendeu a oposição e negou ajuda aos mais vulneráveis. "Os Estados Unidos serão solidários ao povo da Venezuela e continuarão a trabalhar para responsabilizar Maduro", afirmou. "O povo venezuelano merece coisa melhor."

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