Brasil não crê que EUA barrem grupo de amigos da Venezuela

O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, classificou como ?fabulação absoluta? a reportagem publicada nesta sexta-feira pelo Washington Post sobre a intenção dos Estados Unidos de minar a iniciativa do Brasil de compor o Grupo de Países Amigos da Venezuela e de propor a criação de uma coalizão alternativa, sob sua liderança.Garcia insistiu que os Estados Unidos poderão fazer parte do Grupo de Amigos ?se for útil?. Mas que, por enquanto, esse país não foi incluído ?nem excluído?. ?A proposta mencionada na reportagem não é do governo americano. É do próprio Washington Post ou de alguém do Departamento de Estado que quer fazer picuinha com o Brasil?, declarou à Agência Estado. ?Se for útil, os Estados Unidos podem sim fazer parte do Grupo de Amigos da Venezuela. Por que não??.A iniciativa de criar esse grupo será discutida no próximo dia 15, em Quito, em encontros paralelos à posse do novo presidente do Equador, Lúcio Gutierrez. Segundo Garcia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá várias reuniões bilaterais e multilaterais para tratar de uma proposta brasileira, ainda em elaboração pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.O objetivo do Grupo de Países Amigos da Venezuela será reforçar o trabalho de intermediação do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gavíria, e estimular os lados em conflito, o governo e a oposição, a um acordo que supere a crise política e o risco de guerra civil.Segundo ele, os Estados Unidos e o Brasil concordam que seria ?catastrófica? a superposição de uma possível guerra civil na Venezuela com uma guerra no Iraque. Mas reiterou que não foi apresentada resistência formal do governo norte-americano à iniciativa do Brasil de levar adiante a criação do grupo nem uma proposta alternativa.Garcia disse que, nos últimos dias, conversou com várias autoridades da Casa Branca e com a embaixadora dos Estados Unidos em Brasília, Donna Hrinak. ?Em nenhum momento falou-se em outra proposta.? A menção da reportagem do jornal norte-americano ao ?governo esquerdista do Brasil? também provocou reações do Palácio do Planalto.Garcia argumentou que o governo Lula tem se mostrado flexível e não permitirá que as decisões de política externa sejam dominadas por fatores ideológicos. ?Sempre prevalecerão os interesses nacionais?, afirmou.

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