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Brasil não mediará crise de vizinhos, diz Amorim

Para chanceler, envolvimento brasileiro teria de ser solicitado por Colômbia e Venezuela

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

O chanceler Celso Amorim declarou ontem que o Brasil não atuará como mediador do conflito diplomático entre os governos venezuelano e colombiano. Na verdade, o governo brasileiro está ciente de que qualquer intromissão formal na crise, sem a devida solicitação dos dois lados, poderia agravá-la. Nas primeiras horas de ontem, Amorim encontrou-se com o chanceler colombiano, Fernando Araujo, no aeroporto de Bogotá e em quase uma hora de conversa não ofereceu a intermediação brasileira. Amorim também não ouviu de Araujo um pedido nesse sentido. Nas horas seguintes, Amorim tentou conversar, por telefone, com o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que estava no Equador. Ele não teve sorte e a conversa deve ficar para a segunda-feira. Apesar da intenção formal do governo brasileiro de não envolver-se na crise, Amorim antecipou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá encontrar-se com seu colega colombiano, Álvaro Uribe, à margem da posse da nova presidente da Argentina, Cristina Kirchner, no dia 10. Se o presidente venezuelano, Hugo Chávez, for à cerimônia, em Buenos Aires, também há a possibilidade de uma conversa com Lula."Mediação não é a palavra certa. Mediação não se oferece. Para ocorrer, precisa haver disposição dos dois lados envolvidos", afirmou Amorim à imprensa brasileira, em São Paulo. "A mediação, quando não é pedida, só atrapalha e pode criar um mal-entendido", acrescentou, para em seguida destacar o interesse do Brasil na retomada do diálogo e no bom relacionamento entre Colômbia e Venezuela.Durante seu retorno do México, onde realizou uma visita oficial, Amorim oportunamente escolheu Bogotá para a escala técnica do avião. Araujo foi ao seu encontro no aeroporto para fazer um detalhado relato do processo que levou Chávez a tornar-se mediador de um acordo humanitário entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e acabou por provocar a crise nas relações bilaterais. Na quarta-feira, Chávez decidiu romper as relações com a Colômbia até o final do governo Uribe, depois que o presidente colombiano o destituiu no sábado da função de mediador.Araujo disse a Amorim que, para ele, não houve um rompimento nas relações, pois a Colômbia não chamou de volta seu embaixador em Caracas. O chanceler colombiano destacou ainda que Uribe havia avisado Chávez para não negociar diretamente com o Comando do Exército colombiano a criação de uma zona desmilitarizada - uma clássica reivindicação da Farc, rejeitada enfaticamente por Bogotá. A insistência de Chávez, segundo Araujo, levou Uribe a destituir Chávez da função de mediador.REFERENDOQuestionado sobre o referendo sobre a reforma constitucional na Venezuela, que será realizado amanhã, Amorim mostrou-se alheio aos fatos recentes ocorridos na Venezuela. O chanceler afirmou que não houve cerceamento à exposição dos argumentos da oposição. Ele disse que artigos com teor contrário à reforma foram publicados e manifestações públicas ocorreram sem problemas.

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