Brasil não pode ignorar violações do Irã, diz opositor

Para Akbar Ganji, um dos mais importantes dissidentes políticos do Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve condenar o desrespeito aos direitos humanos em sua visita a Teerã no fim de semana. De acordo com Ganji, o Brasil não pode deixar seus interesses econômicos se sobreporem às violações sistemáticas cometidas pelo regime dos aiatolás.

AE, Agência Estado

11 Maio 2010 | 07h36

"Se o presidente Lula diz que o Irã não está desrespeitando o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), isso não é problema meu; nosso problema é democracia e direitos humanos. Líderes como Lula e outros no Ocidente não podem pensar apenas em seu benefício econômico", afirmou ele, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo Ganji, muitos países, incluindo China e Rússia, veem a questão do Irã sob o prisma dos ganhos econômicos. "Sabemos que Lula segue seus interesses econômicos e políticos. Mas para nós o que é importante é a democracia. O presidente precisa levar a sério o ?movimento verde?", disse ele, referindo-se à oposição iraniana liderada por Mir Hossein Mousavi.

A oposição reformista foi derrotada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições de junho, em uma votação marcada por denúncias de fraude. O Brasil tem evitado criticar as violações no Irã. No ano passado, enquanto centenas de milhares de iranianos saíam às ruas contra a suposta fraude eleitoral, Lula comparou os confrontos a rivalidades entre torcedores de futebol. "É choro de perdedor", disse o presidente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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