''Brasil não pode ser o guardião do cemitério''

Ricardo Seitenfus, representante especial da OEA para o Haiti

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2010 | 00h00

O representante especial da OEA para o Haiti, Ricardo Seitenfus, pede que o Brasil "repense sua presença militar" no país e se recuse a tratar a crise como um caso de ameaça à paz internacional. A seguir, trechos da conversa com o Estado.

O sr. é contra a presença de tropas internacionais no Haiti?

Os capacetes azuis são uma consequência da falta de compreensão e da incapacidade do sistema internacional de tratar de conflitos de baixa intensidade - questões domésticas de luta pelo poder. O Haiti está sendo discutido pelo Conselho de Segurança da ONU, quando devia estar no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. Não se trata de uma ameaça a paz e a segurança internacional. O país nem sequer tem forças armadas e o trabalho é 90% de desenvolvimento econômico e institucional. O Haiti é um problema muito mais complexo, sobretudo depois do terremoto, e não pode ser solucionado com tropas de paz.

O sr. acredita que o Brasil deve desistir de sua presença militar no Haiti?

Devemos repensar isso hoje. O Brasil não pode ser um guardião e ficar segurando as chaves do portão do cemitério. Por seu peso político e moral, se o País não tomar essa atitude, ninguém tomará. Depois de seis anos, o Brasil tem o dever de discutir isso.

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