Brasil nega eficácia de sanções e Turquia teme guerra

Ao insistirem hoje em uma solução negociada para a questão nuclear do Irã, Turquia e Brasil expuseram com clareza suas diferenças de motivação. Em visita oficial ao Brasil, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou que seu país não quer ver um ataque militar ao Oriente Médio e tampouco uma corrida nuclear ou o isolamento de um país - no caso, o Irã. A seu lado, o chanceler Celso Amorim reforçou a convicção brasileira de que possíveis sanções do Conselho de Segurança não terão o efeito esperado. Mas acrescentou que, se aprovadas, o Brasil as aplicará.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agência Estado

16 de abril de 2010 | 19h39

"Nós não queremos ataques militares em nossa região, não queremos uma corrida nuclear. Tampouco queremos punições econômicas e isolamento porque um dos conceitos com os quais trabalhamos na nossa região é o da interdependência", afirmou Davutoglu. "Nossa região precisa de cada vez mais interdependência, como meio de alcançar a paz e a estabilidade. O pior instrumento para isso é a sanção econômica."

Como membros não permanentes do Conselho de Segurança, Brasil e Turquia serão expostos à votação de uma resolução sobre as novas sanções. Na terça-feira, em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, negou o pedido do colega Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, de mais tempo para a negociação de um acordo entre o Irã e os países membros do Conselho de Segurança mais a Alemanha. Nos próximos dias 26 e 27, pouco mais de uma semana depois da visita oficial de Lula a Teerã, Erdogan virá ao Brasil.

O chanceler turco estampou a sensibilidade que move seu país a insistir na conclusão do acordo de troca de urânio levemente enriquecido dos estoques iranianos por combustível nuclear para o reator de Teerã. Trata-se de uma situação que não aflige o Brasil, país a cerca de 14 mil quilômetros da região. O ministro Celso Amorim relatou o que já dissera e que repetirá ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que não acredita nas sanções como caminho de uma solução para esse impasse.

"O que vai acontecer é que, ou as sanções serão tão fracas que não terão nenhum efeito, e o Irã continuará convivendo com elas, como tem feito inclusive com as (retaliações) unilaterais aplicadas, ou vão ser tão duras que atingirão a população mais pobre, mais vulnerável. É sempre assim", afirmou. "Ao contrário de enfraquecer as pessoas que estão no Poder, (as sanções as) fortalecem. A prática histórica mostra isso", completou Amorim.

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