Brasil negocia aprovação de texto final do encontro

Com o objetivo de salvar a conferência contra o racismo de um fiasco total, o Brasil convocou para hoje uma reunião para tentar aprovar rapidamente a declaração final do encontro. Nove países já abandonaram a conferência. Os EUA não participaram, alegando que ela poderia se transformar numa plataforma anti-Israel. Caso um documento final não seja aprovado rapidamente, o número de países "desistentes" pode aumentar ainda mais. "Não podemos deixar que uma pessoa (Ahmadinejad) consiga sabotar a conferência", disse Navi Pillai, alta comissária de direitos humanos da ONU, que aceitou a ideia brasileira. Oficialmente, o encontro vai até sexta-feira. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou o boicote americano e dos países europeus. "É mais fácil criticar de longe, mas isso não adianta", disse Ban. "Lamento profundamente o boicote. Muitos estão presos no passado. Falamos em ir adiante, mas estamos fracos e divididos." O texto do documento final já está fechado desde sexta-feira e estabelece objetivos para defender imigrantes contra racismo. Ao contrário do que dizem os americanos, ele não cita Israel. "Há uma campanha para difamar o texto do acordo", acusou Iuri Boychenko, mediador das negociações. O governo brasileiro também criticou os boicotes. "Ausentar-se do processo é render-se à tentação e negar-se à mudança", disse o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, em referência à mudança que Barak Obama promete representar. Santos reconhece que, desde 2001, quando a ONU fez sua primeira conferência contra o racismo, a situação no Brasil não mudou muito. "Mas há mais preocupação com o problema", disse. Para o ministro, há "segmentos da sociedade" que não entendem a necessidade de políticas de integração. Segundo ele, o país defende a criação de indicadores de políticas de integração racial.

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