Brasil opta por se abster em votação sobre Cuba na ONU

O Brasil optou por uma posição de isolamento em relação ao resto do hemisfério, principalmente aos Estados Unidos, e vai abster-se de votar a resolução sobre Cuba, nesta sexta-feira, durante a conferência da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).Apresentada pelo Uruguai e apoiada pela maioria dos países latino-americanos, a resolução "convida" o governo cubano a realizar avanços no campo dos direitos humanos e políticos. O texto coincide com posição que o Brasil vem expressando nos encontros internacionais e até mesmo nos contatos bilaterais com o governo cubano.Mas o País decidiu que não vai reforçar o isolamento de Cuba na conferência. "Trata-se de uma resolução que não condena nem pune Cuba, mas anima e encoraja o país a realizar reformas necessárias", afirmou Lafer, durante encontro na manhã desta quinta-feira com jornalistas. "Entretanto, vamos nos abster por tradição e por não querermos que Cuba fique isolada nesse contexto."O texto da resolução resultou de amplas negociações conduzidas pelos Estados Unidos com diversos países, principalmente do hemisfério. Ele traz, segundo Lafer, uma "visão mais latino-americana" da situação dos direitos humanos e políticos em Cuba.O governo americano conseguiu obter o apoio do Uruguai, da Argentina, da Guatemala, do Peru, da Costa Rica, do Canadá, da Polônia, da Suécia, da Alemanha e da República Checa para a aprovação do texto. Mas cedeu aos argumentos de que o texto não deveria ter caráter condenatório, aceitando até mesmo uma crítica indireta ao bloqueio econômico mantido pelos Estados Unidos contra Cuba.No ano passado, os Estados Unidos haviam conseguido que a ONU aprovasse uma resolução que, enfaticamente, condenou Cuba e exortou esse país a "assegurar o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais" e garantir o funcionamento de instituições democráticas. Foi a primeira vez que uma resolução contrária ao regime cubano foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos. O Brasil, como nas vezes anteriores, se absteve de votá-la.Segundo Lafer, desta vez expressões mais contundentes foram eliminadas do texto, que tem conteúdo mais construtivo. A resolução reconhece, por exemplo, os avanços obtidos por Cuba no âmbito dos direitos econômicos e sociais, apesar do "entorno adverso" - expressão que, traduzida da linguagem diplomática, refere-se diretamente ao embargo protagonizado pelos Estados Unidos.A resolução trouxe um novo tom, ao "convidar" Cuba a realizar avanços similares nos campos dos direitos humanos e político. O texto ainda "orienta" a Alta Comissária de Direitos Humanos, Mary Robinson, a enviar a Cuba um representante pessoal com a tarefa de "cooperar" com o governo cubano na aplicação da resolução. A única exortação clara é para que Cuba "receba" o enviado especial.

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