Brasil passa a votar com rigor contra violações

Antes, o País costumava se abster ou mesmo votar contra resoluções mais fortes a regimes ditatoriais

JAMIL CHADE, GENEBRA / CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h09

O Brasil passou a adotar uma posição mais dura em votações na ONU referentes às violações de direitos humanos por parte de regimes ditatoriais, afastando-se da posição dos últimos anos de se abster ou mesmo votar contra resoluções mais fortes.

Nos últimos dois dias, o Brasil votou a favor de investigações e condenações contra a Síria, Irã, Coreia do Norte, Sri Lanka e Mianmar, num gesto que foi elogiado por ONGs e ativistas internacionais.

Durante grande parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Itamaraty adotou uma posição que irritou alguns dos principais parceiros do país, que pediam uma ação mais dura do Brasil contra certos regimes. O ex-chanceler Celso Amorim chegou a declarar que não votaria "de uma ou de outra forma apenas para agradar a imprensa e as ONGs". Amorim, hoje ministro da Defesa, também apontava que essas resoluções apenas serviam para "montar um quadro e colocar na parede".

Mas, nesta semana, no primeiro teste do governo Dilma Rousseff em votações na ONU, o Brasil adotou uma posição mais dura ao aprovar documentos contra a Coreia do Norte e Mianmar.

Ontem, o governo votou favoravelmente à extensão do mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar as violações de direitos humanos na Síria. A comissão, criada em 2011, teve ontem seu mandato renovado até maio de 2014 e continuará a ser liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

Quarenta e um países votaram a favor, cinco abstiveram-se e um votou contra - a Venezuela, que qualificou a iniciativa de "um instrumento das potências imperialistas". China e Rússia não votaram por não fazer parte neste ano do Conselho da ONU.

O documento aprovado ontem condena os abusos de ambos os lados na guerra. Mas deixa claro que as violações cometidas por rebeldes não chegam à mesma intensidade e escala que as do governo. Em seu discurso, o Brasil indicou que a comunidade internacional deveria mandar uma "forte mensagem de condenação a todas as violações dos direitos humanos".

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