Brasil pede explicações da França sobre pouso em Manaus

O Ministério das Relações Exteriores chamou o embaixador da França no Brasil, Alain Rouquié, para explicar o pouso de um avião militar Hércules C-130 no aeroporto de Manaus, no último dia 9, e sua permanência por 96 horas em solo brasileiro. Os 11 militares e diplomatas franceses a bordo teriam o objetivo de negociar com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a libertação da ex-candidata à presidência do país vizinho, Ingrid Betancourt. A aeronave militar ainda estaria carregada de armamentos, segundo denúncia publicada pela revista Carta Capital. Questionado sobre os eventos, Amorim afirmou que preferia não comentá-los naquele momento porque "algumas coisas continuam confusas". O chanceler reconheceu que fora informado tardiamente sobre o caso, no dia 12, quando estava em Londres acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião de cúpula da Governança Progressista. O conselheiro de imprensa da Embaixada francesa, David Izzo, insistiu que os tripulantes do Hércules C-130 não tinham a missão de negociar com as Farc a liberação de Betancourt, colombiana com cidadania francesa que foi seqüestrada em fevereiro de 2002. Izzo afirmou que o avião partiu da França com o objetivo de atender a um apelo de familiares da senadora e de outros reféns por ajuda humanitária - o transporte para território francês - e que o pouso em Manaus foi uma escala técnica autorizada. "A França não negocia com grupos terroristas, como as Farc", afirmou. "É uma irresponsabilidade dizer que o avião carregava armas, que seriam trocadas pelos reféns".

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