Brasil pode aumentar contingente da engenharia no Haiti

O Brasil está em condições de aceitar um convite da ONU e ampliar seu batalhão de engenharia no Haiti dos atuais 150 para 200 soldados. A informação foi confirmada nesta terça-feira pelo comandante militar do Sul, Carlos Alberto Pinto Silva, e pelo gerente de preparo do Departamento de Engenharia do Exército, coronel Américo Valdetaro, em Cachoeira do Sul (RS), durante vistoria do treinamento do 4º Contingente da Companhia de Engenheiros do Haiti. "Depende apenas de uma decisão política e da aprovação do Congresso", disse Valdetaro.A ampliação dos serviços de engenharia é parte de uma nova etapa da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). Como o país caribenho está sob novo governo, do presidente René Préval, e os confrontos entre grupos políticos rivais diminuíram, a tendência da ONU é reduzir as forças de segurança e ampliar as de reconstrução da infra-estrutura do país.Quando o Brasil enviou suas primeiras tropas, há dois anos, a Engenharia tinha como prioridade oferecer infra-estrutura, como fortificações e instalações dos quartéis, ao restante das tropas. Agora o trabalho está se voltando para a reconstrução de pontes, asfaltamento de ruas e perfuração de poços artesianos para a população do país.Num primeiro momento, o Brasil manteria os 1.050 militares do Exército e da Marinha e ampliaria os da Engenharia. O próximo contingente de Engenharia ainda terá 150 homens, do 3º Batalhão de Engenharia de Combate de Cachoeira do Sul (RS), do 10º Batalhão de Engenharia de Construção de Lages (SC) e do 2º Batalhão de Engenharia de Combate de Pindamonhangaba (SP), que começaram a etapa final do treinamento nesta semana, no Rio Grande do Sul. Da metade de novembro até o final de dezembro eles devem viajar para o Haiti, separados em três grupos, para substituir o contingente atual, formado por tropas do Centro-Oeste.O segundo-sargento Alexsandro Tauchen de Toledo é um dos soldados do 3º Batalhão de Engenharia de Combate de Cachoeira do Sul que embarca no próximo contingente. "Será uma satisfação pessoal e profissional, além de um grande experiência de vida, representar o Brasil no exterior", afirma, ao lado da mulher, Carla, e da filha Gabriela, de sete anos. "O único problema será a saudade."O cabo Ivo Ellert tem motivos semelhantes aos de Toledo para estar orgulhoso, mas pode ter de acompanhar o nascimento da terceira filha pela internet se viajar antes da segunda quinzena de dezembro. Apesar do dilema, não está preocupado. Sabe que a mulher, Edila, e os filhos Ingrid, de oito anos, e Ian, de um, estarão assistidos pela sogra e contarão com o acompanhamento do Grupo de Apoio aos Familiares montado pelo Exército.Para o general Carlos Alberto Pinto Silva, a participação em missões de paz da ONU dá projeção internacional ao Exército brasileiro e ao País e torna a tropa mais experiente, tanto por levá-la a uma frente de patrulhamento e trabalho quanto por colocá-la em contato com outras forças.

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