Brasil pode enviar observadores para as manobras militares no Caribe

O Brasil poderá enviar observadores para acompanhar as manobras navais conjuntas que serão realizadas em novembro pelas Marinhas da Venezuela e da Rússia. O exercício levará ao Caribe, pela primeira vez desde o fim da União Soviética, navios e aviões de combate russos.A presença de oficiais brasileiros em ensaios das forças venezuelanas e, por reciprocidade, da Venezuela em operações brasileiras, é prevista em acordos bilaterais. Ontem, nem o Itamaraty e nem o Comando da Marinha comentaram o assunto.A cooperação militar entre o regime bolivariano do presidente Hugo Chávez e a Federação Russa, presidida por Dmitri Medvedev é intensa - até agosto, o Ministério da Defesa venezuelano havia contratado cerca de US$ 5 bilhões em equipamentos, sistemas e treinamento. Ontem, pousaram na base aérea de Caracas dois bombardeiros estratégicos russos Tu-160, Blackjack, na nomenclatura da Organização do Atlântico Norte (Otan). Os jatos, de asas de geometria variável, voam a 2.200 km/hora com alcance de 17.400 quilômetros. Levam 40 toneladas de mísseis e bombas, várias delas armadas com cargas nucleares de médio porte. Estão envolvidos em uma campanha de verificação da pequena rede de radares de vigilância aérea da Venezuela. Farão testes de interceptação com os supersônicos Su-30, também russos, comprados por Chávez.Em todo o processo o interesse maior está concentrado no cruzador nuclear Pyotr Velikiy (Pedro, o Grande), um gigante de 252 metros de comprimento e 28 mil toneladas que transporta 20 mísseis Shipwreck (10 metros, 7 mil kg) capazes de atingir alvos a 700 km de distância. O arsenal é completado por cinco diferentes tipos de mísseis especializados - antiaéreos, antinavio, anti-submarino e de defesa a curta distância. O cruzador é moderno. Lançado em 1996, recebeu nos últimos dois anos recursos digitais de última geração. Os 700 tripulantes contam com um centro integrado de combate que permite a ação conjunta de todos os recursos de bordo: dos 3 helicópteros Kamov ao canhão duplo de 130 mm, dirigido eletronicamente para objetivos situados a 22 km.

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