'Brasil pode nos ajudar a estabilizar o Afeganistão'

ENTREVISTA

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

Ashraf Haidari, encarregado de negócios da Embaixada do Afeganistão em Washington

Na quinta-feira, a Otan e os EUA admitiram, pela primeira vez, ter iniciado conversas de paz com o Taleban. O anúncio foi feito após o comando do grupo reivindicar o controle de 75% do território afegão e de todas estradas do país. Em entrevista ao Estado, por telefone, o encarregado de negócios da Embaixada do Afeganistão em Washington, Ashraf Haidari, disse que "o Brasil tem a chave para estabilizar o Afeganistão". E ela está na agricultura e na mineração.

Por que o Brasil?

O Brasil está numa posição única para ajudar o Afeganistão. Ao contrário de outras nações em território afegão, é um país em desenvolvimento e tem impressionado a comunidade internacional com um significativo crescimento.

Um acordo bilateral incluiria o comércio entre os países?

Essa é a proposta. Não queremos apenas que o Brasil ajude o Afeganistão. Buscamos também investimentos do setor privado ou parcerias público-privadas com o governo afegão e com o empresariado.

Em que áreas o sr. enxerga oportunidades?

O Brasil não apenas tem experiência, mas também conhecimento em agronegócio e mineração. Do lado afegão, nós queremos parcerias com o Brasil para acessar a nossa riqueza natural. Então, há oportunidades na extração e exploração das reservas minerais. Na agricultura, a chave está na qualidade da pesquisa do Brasil.

Como começaram as conversas entre Brasil e Afeganistão?

Após o colapso do regime soviético não tivemos relações até 2006. Foi quando o Brasil participou da Conferência Internacional sobre Afeganistão, em Londres, e o chanceler Celso Amorim mostrou interesse em cooperar com a comunidade internacional no país. A primeira delegação brasileira acaba de voltar de Cabul e os ministros afegãos de Minas e da Agricultura planejam uma visita oficial ao Brasil em 2011.

O Brasil pode ajudar no processo de paz?

Nossa relação com o Brasil não será à custa da relação com a Otan. O Brasil, porém, pode ter a chave para estabilizar o Afeganistão por causa de sua posição no cenário mundial, por sua experiência na redução da pobreza, por sua política externa e pelo papel na ajuda a outros países em desenvolvimento, especialmente na África. O Brasil não é somente um líder regional, mas global.

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