Brasil pode processar urânio para Teerã

No Irã, Amorim diz que consideraria proposta de fornecer combustível nuclear

, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem que o Brasil está disposto a considerar a possibilidade de enriquecer urânio para o Irã em território brasileiro. Em visita ao país, o chanceler pediu ainda para Teerã dar garantias de que seu programa nuclear não tem fins militares e pediu "flexibilidade" às partes envolvidas nas negociações.

"Até o momento, não recebemos nenhuma proposta nesse sentido, mas se recebermos uma consideramos que poderia ser examinada", afirmou Amorim sobre a possível troca de combustível. "O Irã tem o direito de manter atividades nucleares pacíficas, mas a comunidade internacional deve receber garantias de que não haverá violação nem desvios para o uso em fins militares", disse o ministro.

A proposta da ONU prevê que o Irã entregue 70% de seu urânio enriquecido a 3,5% para transformá-lo, na Rússia e na França, em urânio enriquecido a 20% - grau para que possa ser usado como combustível nuclear. Teerã recusou a proposta, exigindo que a troca seja simultânea e em seu território.

Questionado se a troca poderia ocorrer na Turquia - que faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), é vizinha do Irã e membro temporário do Conselho de Segurança da ONU - Amorim disse acreditar que isso provavelmente seria parte do acordo.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que seu país e o Brasil devem trabalhar em conjunto para criar uma "nova ordem mundial mais justa", segundo a agência de notícias Irna. O chanceler está no país para preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dia 15.

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