Brasil pode se tornar alvo, diz relatório

O Brasil poderá se tornar um dos alvos de atentados terroristas internacionais. A previsão, que pode parecer pouco realista para muitos, está num relatório preparado pela Strategic Forecasting, uma das maiores empresas americanas de inteligência. No documento são indicados os possíveis alvos que poderão sofrer atentados em resposta à campanha dos Estados Unidos contra extremistas islâmicos. Na avaliação da Strategic Forecasting, as filiais de empresas americanas no Brasil, os consulados, escritórios comerciais e a embaixada dos EUA em Brasília podem estar nos planos dos terroristas. Segundo o relatório, à medida que aumenta a segurança no território dos EUA e na Europa, os terroristas buscarão alternativas para seus atentados, inclusive na América Latina. "Os efeitos psicológicos de um ataque no quintal dos Estados Unidos poderiam ser imensos em Washington", diz o documento. Para um dos principais analistas da Strategic Forecasting, Jack Sweeney, "ficou claro que os terroristas não têm pena da população civil e, apesar dos alvos no Brasil serem os interesses dos EUA, um atentado certamente provocaria a morte de brasileiros". A Strategic Forecasting presta serviços de inteligência para as principais empresas multinacionais. O relatório, publicado na segunda-feira passada, foi enviado para os principais grupos econômicos e financeiros do mundo. Segundo Sweeney, já na década dos 80 células de grupos terroristas foram identificadas na fronteira sul do Brasil, principalmente no Estado do Paraná. Também se suspeita que existam centros de extremistas islâmicos em Ciudad del Este, no Paraguai. "A CIA tem informações de que o atentado contra a sede de uma associação judaica em Buenos Aires, em 1994, foi preparado em Ciudad del Este", afirmou. Na avaliação do especialista, há a hipótese de que grupos extremistas tenham vínculos na América do Sul com narcotraficantes, guerrilheiros colombianos e o crime organizado. Para a Strategic Forecasting, pelo menos dois fatores contribuem para que o País seja vulnerável aos atentados: o controle insuficiente nas fronteiras com os demais países sul-americanos e a falta de recursos e equipamentos das polícias. Outro aspecto que coloca o Brasil no mapa dos possíveis atentados é o apoio explícito dado por Brasília ao combate americano contra o terrorismo internacional. "Vale lembrar que o México foi mais cauteloso ao condenar os ataques nos Estados Unidos", afirma Sweeney. De acordo com o especialista, o governo brasileiro deveria se preocupar mais com a situação. Mas reconhece: um governo sem recursos tem limitações para agir. Para ele, o que deve mudar é a percepção de que o problema do terrorismo está apenas nos Estados Unidos. "A América do Sul também está ameaçada", completa. No relatório da empresa de inteligência, a Argentina, Bolívia, Paraguai, Paquistão, Egito, Indonésia, África do Sul, Quênia e Marrocos também estão incluídos como possíveis alvos de ataques.

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