Brasil pode ter papel de mediador em cúpula

À frente do bloco dos moderados, País ajudaria na busca por consenso na OEA

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O Brasil pode ser fundamental na hora da tomada de decisão sobre o retorno ou não de Cuba à Organização dos Estados Americanos (OEA) na reunião que ocorre esta semana em Honduras. Considerado uma potência regional, o governo brasileiro está à frente de um grupo de países, que inclui Chile e Uruguai, e se caracteriza pela moderação - não são nem inimigos declarados dos EUA, como a Venezuela e a Bolívia, nem seus aliados próximos, como a Colômbia. "O problema do Brasil e do Chile é que eles confundem as coisas", disse Jorge Castañeda, ex-chanceler mexicano e professor da Universidade de Nova York. "Eles têm razão em criticar o embargo imposto pelos EUA a Cuba, mas esquecem que os cubanos também precisam cumprir as regras da OEA." Para Castañeda, os brasileiros precisam perceber que a inclusão dos cubanos apenas enfraquecerá o caráter democrático da OEA."A posição do Brasil e do Chile é mais moderada e eles, de fato, podem ser importantes na hora da decisão", disse Michael Shifter, professor da Universidade Georgetown e diretor do Diálogo Interamericano, grupo de estudos com sede em Washington. Os dois professores concordam que a inclusão de Cuba, hoje governada por Raúl Castro, abriria as portas para que outros países latino-americanos desrespeitassem a democracia e os direitos humanos. "O Brasil deve lembrar que a cláusula democrática busca defender a região de ditaduras tanto de esquerda como de direita, como foi no caso de Alberto Fujimori, no Peru", afirmou Castañeda. Em abril, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse que o fato de Cuba estar ausente do sistema interamericano é uma anomalia que precisa ser corrigida. Foi um sinal de que o governo brasileiro pode se posicionar ao lado da Bolívia e da Venezuela.Mas, segundo os analistas, o Brasil também pode amenizar a sua posição na hora do debate em Honduras. Falta também saber qual será a posição de países como México, Peru e Colômbia. As decisões na OEA são aprovadas por dois terços de seus membros, mas costumam sempre haver consenso. Com as pressões internas nos EUA e a posição contrária ao retorno de Cuba à organização, já expresso pelo presidente Barack Obama, a questão é ver se o Brasil, com a ajuda do Chile, agirá como mediador para encontrar uma solução que agrade a todos. "Está tudo muito incerto", disse Shifter, ressaltando o fato de que até o governo Obama já alterou muitas de suas políticas para Cuba.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.