Brasil precisa ter ´visão de longo prazo no Haiti´, diz ONU

O chefe da Missão da ONU no Haiti, o embaixador Edmond Mulet, diz que o Brasil precisa ter uma ´´visão de médio e longo prazo´´ sobre a presença de suas tropas no país caribenho. As declarações de Mulet, o chefe da Minustah (como é conhecida a missão no Haiti, em sua sigla, em francês), foram feitas nesta terça-feira em Washington, durante um evento sobre a atuação da ONU no país, na sede da organização de pesquisas políticas Center for Strategic and International Studies. Segundo Mulet, ´´o que obtivemos lá até agora poderá desaparecer se sairmos cedo demais´´. Mulet, que representou a Guatemala na Bélgica e junto à União Européia, afirmou ser compreensível que países latino-americanos, que respondem pelo maior contingente das forças de paz, queiram ter uma noção de quando a missão chegará ao fim.Mas acrescentou que o prazo para a retirada das forças internacionais depende ´´da capacidade do governo do Haiti de reconstruir as suas próprias instituições´´.Muito a ser feito´´O Haiti não conta com qualquer policiamento em seus portos ou ao longo de sua região costeira de 1.700 quilômetros, não há cartórios para registros de nascimento e 65% do orçamento depende de investimento internacional. Ainda há muito a ser feito.´´Além disso, o embaixador conta que a criminalidade e a ação de gangues no país ainda são alarmantes, o que torna a presença de forças internacionais vital para a segurança da população mais pobre do país. Mulet é extremamente elogioso em relação à atuação das forças brasileiras no país e, por isso, não vê necessidade em ampliá-la. ´´As tropas brasileiras estão fazendo um excelente trabalho. Mas 1.200 soldados é uma boa quantidade. Não é preciso aumentar´.´Segundo o embaixador, o Brasil também vem desempenhando um papel importante no setor assistencial. ´´O Brasil não só forneceu tropas, mas também investiu em eletricidade no Haiti, conta com ONGs no país e projetos conjuntos com a Índia e a África do Sul´´, diz.De acordo com Mulet, no início da semana que vem, Brasília será sede de um seminário, realizado em conjunto com o Canadá, para discutir métodos de ação conjunta entre forças de paz e agências humanitárias.

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