Brasil presidirá grupo na conferência sobre racismo

As Nações Unidas iniciaram hoje, em Genebra, a fase final de debates para a realização da Conferência Mundial sobre Racismo, que ocorrerá entre os dias 31 de agosto a 7 de setembro em Durban, na África do Sul. Para tentar garantir que um consenso sobre o tema seja encontrado, a ONU escolheu o Brasil para presidir um dos dois grupos de negociação.A tarefa do Brasil será comandar as negociações para a adoção de um programa de ação para que o racismo seja combatido. O outro grupo, que tratará da elaboração da declaração da reunião, ficou a cargo da França.A delegação brasileira, chefiada pelo embaixador Gilberto Sabóia, terá uma dura missão pela frente, já que não existe consenso entre os países sobre os principais temas. Um dos obstáculos é a insistência dos países árabes em identificar o sionismo como uma forma de racismo. O resultado é a oposição de Israel e a ameaça dos Estados Unidos de se retirarem da negociação se a referência for mantida.Para deixar a situação ainda mais complicada, a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, defendeu que o termo "sionismo" seja retirado do debate. A ira dos países árabes foi imediata.Outro ponto delicado está sendo o pedido dos africanos de que os europeus paguem reparações pelo colonialismo e pela escravidão da qual foram vítimas. "Reconhecemos a escravidão como uma das causa do racismo. Mas preferimos defender políticas públicas que possam restabelecer uma situação mais favorável aos negros que exigir reparações", afirma Sabóia.O embaixador concorda que temas do passado, como o colonialismo e a escravidão, devam ser encarado para que o racismo seja combatido. Mas alerta: "a conferência não pode se basear somente no passado".

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