Brasil quer ajudar Evo a substituir ação da DEA

Carências bolivianas na luta contra o narcotráfico devem aumentar fluxo de drogas para o País

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

O fato de a Bolívia ter expulsado a agência antidrogas dos EUA (DEA) de seu território em novembro pode trazer conseqüências negativas para o Brasil, apesar de o governo Lula ter-se disposto a ajudar La Paz a compensar a perda do apoio americano no combate ao narcotráfico. O presidente boliviano, Evo Morales, dispôs-se a adotar, como alternativa ao sistema dos EUA, um programa "sem violência" de erradicação do cultivo da coca, no qual a pulverização de plantações não será permitida. Segundo fontes do Itamaraty, isso significará a ampliação da área plantada na Bolívia e o escoamento de mais entorpecentes para o Brasil. Com a expulsão da DEA, que estava havia 35 anos na Bolívia, os EUA deixaram de injetar US$ 32 milhões ao ano para o apoio às forças de segurança do país. Numa sessão da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, na quinta-feira, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), comentou sobre a precariedade das iniciativas bolivianas para reprimir o narcotráfico, acentuada pela desativação de organizações multilaterais que atuavam no país.Jugmann fez parte de uma delegação da Câmara que visitou a Bolívia e o Paraguai na semana passada, propondo a cooperação do Brasil e outros países da região para reduzir as carências de La Paz no combate ao tráfico. A Bolívia defende a criação de uma política antidrogas no âmbito da União Sul-Americana de Nações (Unasul) e de um fundo para financiar suas ações. No dia 12, o ministro de Governo boliviano, Alfredo Rada, tratou do tema com o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, com quem assinou um convênio bilateral de combate às drogas. Outros acordos podem ser debatidos nas quatro reuniões de cúpula - Mercosul, Unasul, Grupo do Rio e América Latina e Caribe - que devem ocorrer na Bahia nos dias 16 e 17. Fontes diplomáticas vêem na proposta da Bolívia de regionalizar a política antidrogas uma forma de La Paz legitimar um modelo mais brando e permissivo de erradicação do cultivo de coca. Além do Brasil, os bolivianos buscam o apoio da Argentina, do Chile e do Peru.

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