Brasil quer convencer oposição a dialogar com Chávez

O ministro das Relações Exteriores, CelsoAmorim, afirmou nesta terça-feira que está disposto a tentar convencer a oposição venezuelana a retomar as negociações com o governo de Hugo Chávez para uma saída para a crise política do país.Um dos principais articuladores do Grupo de Países Amigos para a Venezuela, lançado na semana passada, Amorim está convencido de que a única via para impedir o caos político e a explosão daviolência no país vizinho é a criação de um "clima de confiança" entre os dois lados em conflito, que permita a ambos negociar uma solução dentro de princípios constitucionais.Até o início da tarde desta terça, entretanto, Amorim não havia recebido nenhum sinal de interesse de grupos oposicionistas daVenezuela em uma conversa. Desde dezembro, quando o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou para Caracas seu assessor internacional, Marco Aurélio Garcia, com afinalidade de coletar informações sobre a situação do país vizinho, o governo brasileiro vem sendo tratado com hostilidadepor setores da oposição venezuelana. "Mas não me recusaria (ao diálogo), desde que seja um interlocutor adequado,naturalmente", insistiu o chanceler.Amorim participará na próxima sexta-feira da primeira reunião oficial do Grupo de Amigos para a Venezuela na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nosEstados Unidos. Desse encontro deverá resultar a estratégia que os seis países envolvidos - Brasil, EUA, Chile, México, Espanhae Portugal - adotorão para apoiar os esforços dosecretário-geral da OEA, César Gavíria, de promover o diálogo entre Chávez e seus opositores. Por enquanto, o governo brasileiro mantém em segredo os tópicos que tratará nesteencontro.Apenas expressa suas opiniões de que, nem o governo local e nem a oposição poderão suportar a atual situação por longo prazo e de que não haverá outra via pacífica senão a da negociação. "Claro que o governo Chávez é legítimo e constitucional. Mas ele também não quer governar mais dois ou três anos nessacrise", afirmou Amorim. "À oposição tampouco deveria interessar a situação de permanente conflito, que não oferece nenhuma saída", completou.Na avaliação de Amorim, o principal papel do Grupo de Amigos será o de promover justamente esse"clima de confiança" para que da negociação entre o governo e a oposição possa sair uma solução baseada em princípios constitucionais. A reforma da atual Constituição, para ele, não é um pressuposto para a superação da crise, mas pode vir a acontecer.Conforme explicou o embaixador Antonino Mena Gonçalves, diretor-geral do Departamento das Américas do Itamaraty, a negociação tampouco será fácil, porque as oposições venezuelanas não estão cristalizadas, mas dispersas em grupos que, muitasvezes, não contam nem mesmo com representação política."Nós apoiamos é a preservação da institucionalidade da Venezuela. Oque não pode é sair uma solução simplista, ou seja, que a partir de movimentos de rua haja um referendo sobre o atual governo", afirmou o embaixador.

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