FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Brasil quer cooperar com defesa na África

Seminário no Rio debate fórmulas de participação do País em esforço contra ações de piratas e do terror no Atlântico Sul

Roberta Pennafort / RIO , O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 05h00

O Brasil busca cooperar na estruturação dos sistemas de defesa marítima com países da África banhados pela porção sul do Oceano Atlântico, que sofrem com ataques terroristas e de piratas e com a ação de traficantes de pessoas, armas e drogas. O objetivo brasileiro é aprimorar o próprio acompanhamento do tráfego de embarcações na região e consolidar seu papel de liderança neste trecho do Atlântico.

O tema foi discutido ontem, primeiro dia do seminário “Segurança Marítima no Atlântico Sul”, realizado pelo Conselho de Estudos Político-Estratégicos (Cepe) da Marinha na Escola de Guerra Naval, no Rio. As palestras contaram com a presença de representantes de Nigéria, Angola, Camarões, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gana, Moçambique, Senegal e São Tomé e Príncipe. Amanhã, ao fim do seminário, o Brasil vai propor um plano de ação conjunta, uma espécie de carta de intenções, para estreitar a colaboração com os países africanos.

O encontro foi organizado para que sejam debatidas estratégias nacionais e cooperativas capazes de ampliar a salvaguarda das costas e para aprimorar o monitoramento do tráfego marítimo na região. O Brasil deseja que os países africanos façam parte de seu Sistema de Controle do Tráfego Marítimo. Só dessa forma será possível receber informações confiáveis sobre a movimentação de embarcações no Atlântico Sul. Parte dos países nem sequer possui Marinha ou barcos de grande porte para defesa. Contam apenas com guardas costeiras.

“A inexistência de passivos coloniais, de ressentimentos e de conflitos entre Brasil e África, ao contrário do que acontece com países europeus e os EUA, facilita os acordos. A paz que temos no Atlântico Sul é patrimônio regional de inestimável valor, embora a gente não se dê conta disso. A preservação dessa paz depende de nossa capacidade de consolidar mecanismos regionais de cooperação”, disse o almirante de esquadra Álvaro Augusto Dias Monteiro, presidente do Cepe.

O Brasil pretende firmar uma “cooperação técnica horizontal”, o que poderá incluir, por exemplo, a instalação de softwares de monitoramento de que o País dispõe. Importante economicamente – produz 25% do petróleo consumido no mundo –, o Atlântico Sul é majoritariamente pacífico. Mas o Golfo da Guiné tem frequentes ocorrências criminosas.

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